- Boatos sobre tatuagens protegerem contra crimes não têm comprovação e são considerados desinformação.
- Assessores afirmam que tatuagens não influenciam a vulnerabilidade a sequestros ou tráfico de pessoas.
- Identificação por tatuagens pode ajudar em investigações, mas não garante segurança contra crimes.
- Relações entre tatuagens e organizações criminosas variam, sendo usadas em alguns casos para controle ou pertencimento.
- Tatuagens podem ter significado pessoal, mas não devem ser vistas como proteção contra riscos criminais.
Já quero começar dizendo que sinto muito estragar o conto de fadas, mas ter tatuagens não vai proteger você de um serial killer, de um sequestro ou do tráfico de pessoas. Apesar de circularem nas redes sociais, afirmações como essas não têm comprovação. É desinformação, ou como eu costumo falar, mentira.
Um dos boatos mais recorrentes diz que pessoas tatuadas são mais fáceis de identificar e, por isso, teriam menos chances de se tornar vítimas de assassinos em série ou de traficantes de pessoas. Outra versão afirma que canibais evitariam pessoas tatuadas porque as marcas alterariam o gosto da carne. Essa última história também costuma ser associada ao serial killer norte-americano Jeffrey Dahmer, conhecido pelos crimes cometidos contra homens e adolescentes.
FAKE NEWS
O problema é que não há registros confiáveis de que Dahmer tenha feito essa declaração. Não existe nenhuma entrevista dita por ele ou por qualquer outro grupo de canibais de que pessoas tatuadas tem gosto ruim.Também não há evidências que sustentem a ideia de que pessoas tatuadas sejam, evitadas por assassinos em série ou por criminosos envolvidos no tráfico de pessoas.
Isso não significa que as tatuagens não tenham nenhuma influência na identificação de alguém. Uma marca na pele pode funcionar como uma característica física distintiva e ajudar no reconhecimento de uma pessoa. Em determinadas circunstâncias, isso pode ser útil em investigações.
O desaparecimento de Priscila Belfort, irmã do lutador Vitor Belfort, é um exemplo que ajuda a discutir essa questão. Durante as investigações, a ausência de uma tatuagem ou de outra característica física marcante foi mencionada como um fator que dificultava o reconhecimento dela por pessoas na rua.
Mas é importante entender a diferença: ser mais fácil ou mais difícil de identificar não significa estar mais ou menos protegido contra um crime.
E quando o assunto é tráfico de pessoas?
A ideia de que ter tatuagens impede alguém de se tornar vítima também não encontra sustentação em evidências. Pessoas de diferentes idades, gêneros e condições sociais podem ser vítimas desse crime, que envolve diferentes formas de aliciamento, exploração e controle. A presença ou a ausência de tatuagens, por si só, não determina esse risco.
Além disso, a relação entre tatuagens e organizações criminosas existe, mas não da maneira apresentada nesses boatos. Em determinados contextos, grupos criminosos utilizam tatuagens para marcar pertencimento, hierarquia ou posição dentro de uma organização. Em situações de exploração, marcas na pele também podem ser impostas às vítimas como forma de controle, intimidação ou identificação.
Essas situações, porém, não são iguais em todos os grupos criminosos, e nem toda tatuagem relacionada a uma organização é feita sob coerção. Em alguns contextos, ela pode representar pertencimento ou status dentro do próprio grupo. Por isso, é necessário analisar cada caso sem transformar situações específicas em regras gerais.
A TATUAGEM
No fim das contas, você pode fazer uma tatuagem porque gosta do desenho, porque ela tem um significado especial ou simplesmente porque tem vontade. Só não precisa acreditar que ela vai impedir que você seja vítima de um crime.
Sim, uma tatuagem pode tornar uma pessoa mais identificável. Mas isso não significa que ela deixe de correr riscos por ai. Muitos estudios de tatuagens divulgam essas informações como forma de ganhar dinheiro, mas agora você já sabe que não vai cair nesse papinho, só se for para convencer os pais a deixarem você tatuar, mas nada de desinformação por ai viu?