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A arma secreta do Queniano para quebrar recorde mundial e fazer maratona abaixo de 2h

Sabastian Sawe fez história ao se tornar o primeiro atleta a correr oficialmente a prova em menos de duas horas

O momento da vitória - e do recorde - de Sabastian Sawe | Foto: AFP via Getty Images
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O queniano Sabastian Sawe, de 30 anos, entrou para a história das maratonas ao se tornar o primeiro atleta a completar oficialmente a prova abaixo de duas horas em uma competição oficial. Ele venceu a disputa com o tempo de 1h59min30s, superando em mais de um minuto o antigo recorde mundial de Kelvin Kiptum, que havia marcado 2h00min35s em 2023.

O feito foi ainda mais impressionante porque, até pouco tempo, correr uma maratona em menos de duas horas era tratado como algo praticamente impossível. Antes disso, apenas Eliud Kipchoge, também do Quênia, havia conseguido a marca em 2019, com 1h59min40s, mas em um evento especial, fora das regras oficiais da World Athletics, e por isso sem reconhecimento como recorde mundial.

Altitude é uma das principais vantagens

Especialistas apontam que uma das principais “armas secretas” dos corredores quenianos e etíopes está no local onde eles nascem e treinam: o Vale do Rift, uma região montanhosa no leste da África.

Grande parte dos atletas de elite dessas nações vive em áreas de alta altitude, onde o nível de oxigênio é menor. Segundo estudos científicos, isso favorece o desenvolvimento de pulmões e corações mais fortes, melhorando o desempenho físico em provas de resistência como a maratona.

Essa preparação natural ajuda os atletas a suportarem melhor o esforço extremo exigido por uma corrida de 42 quilômetros em ritmo acelerado.

Sawe se tornou a primeira pessoa a correr oficialmente uma maratona abaixo de duas horas - Foto: AFP via Getty Images

Cultura da corrida faz diferença

Além da altitude, a corrida faz parte da cultura cotidiana no Quênia e na Etiópia há gerações. Em muitas regiões, correr sempre foi uma prática comum, seja como deslocamento ou como forma de ascensão social.

Na cidade de Iten, no Quênia, conhecida como “lar dos campeões”, jovens convivem de perto com medalhistas olímpicos e grandes nomes do atletismo, o que fortalece o sonho de seguir a mesma carreira.

Especialistas comparam esse cenário ao futebol no Brasil: para muitos jovens, o atletismo representa uma oportunidade real de mudar de vida e conquistar estabilidade financeira.

Kipchoge já havia mostrado que era possível

Em 2019, Eliud Kipchoge já havia corrido abaixo das duas horas, mas em uma prova montada especialmente para isso, em Viena, na Áustria.

Na ocasião, ele contou com condições controladas, como atletas se revezando para puxar o ritmo e até entrega de bebidas por bicicletas, o que não é permitido em competições oficiais.

Por isso, a marca não foi homologada pela World Athletics. Mesmo assim, o feito ajudou a mostrar ao mundo que a barreira das duas horas poderia ser superada em uma corrida oficial.

A corrida de Kipchoge abaixo de duas horas em 2019 não é oficialmente reconhecida - Foto: AFP via Getty Images

Corpo sofre desgaste extremo

Correr uma maratona nesse nível exige um desgaste físico e mental enorme. Atletas de elite chegam a manter ritmo médio abaixo de três minutos por quilômetro durante toda a prova.

Além disso, muitos treinam mais de 160 quilômetros por semana, o que gera forte impacto em músculos, articulações e ossos.

Por isso, especialistas afirmam que maratonistas de alto rendimento participam de poucas provas por ano. O desempenho de Sawe reforça não apenas sua qualidade técnica, mas também o alto nível de preparação física e estratégica necessário para alcançar uma marca histórica no esporte mundial.

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