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Bragantino anuncia punição para jogador por falas machistas contra árbitra

Zagueiro será multado em 50% do salário e suspenso; valor irá para ONG que apoia mulheres em Bragança Paulista

Zagueiro Gustavo Marques | Foto: Reprodução/TNT Sports
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O Red Bull Bragantino anunciou nesta segunda-feira (23) a aplicação de multa de 50% dos vencimentos do zagueiro Gustavo Marques após declarações machistas direcionadas à árbitra Daiane Muniz. Além da penalidade financeira, o defensor não será relacionado para a partida contra o Athletico Paranaense, marcada para quarta-feira (25).

As declarações ocorreram no sábado (21), após a derrota por 2 a 1 para o São Paulo Futebol Clube, resultado que eliminou o Massa Bruta nas quartas de final do Campeonato Paulista.

Multa será destinada a ONG que apoia mulheres

Em nota oficial, o clube informou que o valor da multa será revertido para a ONG Rendar, organização que atua no apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade em Bragança Paulista.

O Bragantino também comunicou que mantém diálogo com a entidade e com outras instituições da cidade para fortalecer ações sociais e educativas já realizadas ao longo do ano. Segundo o clube, a intenção é ampliar o debate sobre igualdade e respeito, tanto internamente quanto na comunidade.

Declarações após eliminação

Após a partida contra o São Paulo, Gustavo Marques criticou a arbitragem e questionou a presença de uma mulher em jogos decisivos.

Árbitra Daiane Muniz (Foto: Reprodução/ IconSport)

Em entrevista, o jogador afirmou que “não adianta jogar contra São Paulo, Palmeiras e Corinthians e colocar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, além de sugerir que a árbitra não teria sido “honesta” na condução da partida. Ele também declarou que a Federação Paulista deveria “olhar para jogos desse tamanho” e “não colocar uma mulher”.

Ainda na zona mista, o zagueiro pediu desculpas públicas às mulheres e informou que procurou Daiane Muniz no vestiário para se retratar pessoalmente.

Federação repudia falas

A Federação Paulista de Futebol repudiou as declarações e classificou as falas como “primitivas, machistas, preconceituosas e misóginas”, afirmando que são incompatíveis com os valores do futebol e da sociedade.

A entidade destacou que é “absolutamente estarrecedor” que um atleta questione a capacidade de uma árbitra com base em seu gênero e reiterou apoio a Daiane Muniz. Segundo a Federação, a profissional integra os quadros da FPF, da CBF e da FIFA, sendo reconhecida por sua qualidade técnica e postura profissional.

A FPF informou ainda que conta atualmente com 36 árbitras e assistentes em seu quadro e que trabalha para ampliar a presença feminina na arbitragem paulista. Ao final da nota, a entidade comunicou que encaminhará o caso à Justiça Desportiva para as providências cabíveis.

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