A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou na sexta-feira (6) o processo de formalização do Programa de Arbitragem Profissional para a temporada de 2026. A entidade encaminhou contratos a 72 profissionais, entre árbitros de campo, assistentes e árbitros de vídeo que, após a assinatura, passarão a receber salário fixo mensal já a partir de março.
Além do pagamento fixo, os profissionais também terão remuneração variável por partida disputada, que começará a ser paga a partir da sexta rodada do Campeonato Brasileiro Série A. Os valores serão depositados até o décimo dia útil de cada mês.
Novo modelo centraliza pagamentos
Pelo novo sistema, as taxas de arbitragem serão pagas integralmente pela CBF por meio do Fundo Anual de Desenvolvimento da Arbitragem. O mecanismo reunirá os valores que continuam sendo recolhidos pelos clubes em cada partida, mas que agora serão repassados diretamente à entidade.
Na prática, em vez de pagar os árbitros escalados em cada jogo, os clubes passarão a transferir as taxas mensalmente à CBF, que ficará responsável por centralizar os recursos e efetuar os pagamentos aos profissionais. O fundo também será utilizado para financiar iniciativas de formação, capacitação e desenvolvimento da arbitragem no país.
Seminário técnico e preparação da temporada
Como parte do início do programa, a entidade convidou os profissionais contratados para o primeiro seminário técnico da temporada. O encontro será realizado na Granja Comary, em Teresópolis, entre os dias 31 de março e 3 de abril.
Durante o evento, estão previstas atividades de treinamento físico e técnico, avaliações de desempenho, padronização de critérios de arbitragem e capacitação para o uso de novas ferramentas tecnológicas. Segundo o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra, a iniciativa representa um passo histórico para a categoria e um desejo de longa data.
lista dos árbitros profissionais
No total, 72 profissionais receberam proposta: 20 árbitros centrais, 40 assistentes e 12 árbitros de vídeo (VAR). Os árbitros centrais são:
- Alex Stefano
- Anderson Daronco
- Bráulio Machado
- Bruno Arleu
- Davi Lacerda
- Edina Batista
- Felipe Lima
- Flávio Souza
- Jonathan Pinheiro
- Lucas Casagrande
- Lucas Torezin
- Matheus Candançan
- Paulo Zanovelli
- Rafael Klein
- Ramon Abatti Abel
- Raphael Claus
- Rodrigo Pereira
- Savio Sampaio
- Wagner Magalhães
- Wilton Sampaio
Estrutura de remuneração
Os profissionais serão contratados como pessoa jurídica. Pelo formato do vínculo, a CBF não poderá exigir dedicação exclusiva, mas prevê prioridade para as atividades relacionadas à arbitragem.
Os salários fixos variam de acordo com a categoria do profissional, como árbitros do quadro FIFA ou do quadro nacional da CBF. Além da remuneração mensal, continuam previstos pagamentos por jogo e bônus por desempenho. Confira abaixo:
- Fixo Árbitro central Fifa - R$ 22 mil por mês
Taxa por jogo - R$ 5,5 mil
- Fixo Árbitro central CBF - R$ 16 mil por mês
Taxa por jogo - R$ 4 mil
- Fixo Árbitro Assistente e VAR Fifa - R$ 13,2 mil por mês
Taxa por jogo - R$ 3,3 mil
- Fixo Árbitro CBF - R$ 10 mil por mês
Taxa por jogo - R$ 2,5 mil
A escolha dos 72 primeiros contratados obedeceu a três critérios:
- serem árbitros Fifa ou CBF;
- mais escaladas na série A em 2024 e 2025;
- nota média na avaliação de desempenho da CBF das temporadas 2024/2025.
Investimento e novas tecnologias
O programa de profissionalização foi elaborado com base em modelos adotados em ligas da Alemanha, Inglaterra, Espanha e também do México.
Segundo a CBF, o investimento previsto para arbitragem no biênio 2026–2027 é de R$ 195 milhões. Parte do orçamento também contempla a implementação da tecnologia de impedimento semiautomático, com previsão de R$ 25 milhões em contrato de dois anos para competições como o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. A ferramenta ainda não tem data definida para estreia na Série A.