O Botafogo tenta negociar com a Major League Soccer (MLS) uma solução para encerrar o transfer ban imposto após a condenação pelo não pagamento integral da contratação de Thiago Almada, mas esbarra em divergências sobre a forma de quitação da dívida. A liga norte-americana cobra US$ 21 milhões (cerca de R$ 114 milhões), enquanto o clube carioca defende um parcelamento mais extenso, modelo rejeitado pela MLS.
Origem da punição
A condenação foi definida em 9 de dezembro de 2025, quando o Botafogo perdeu a ação movida pelo Atlanta United na Fifa, referente à compra de Almada em 2024. Três semanas depois, em 31 de dezembro, o clube foi punido com o transfer ban, que limita o registro de novos jogadores.
Embora o acordo inicial previsse o pagamento parcelado, a MLS passou a cobrar o valor integral após a decisão da Fifa. Como a liga funciona sob o modelo de entidade única, em que todas as franquias têm participação igualitária, é ela quem conduz as negociações e aciona clubes em casos de inadimplência.
O que a MLS exige
Nas reuniões realizadas até agora, a MLS recusou a proposta do Botafogo de parcelar os US$ 21 milhões em um período mais longo. A liga apresentou duas alternativas consideradas viáveis: o pagamento integral à vista ou o pagamento de metade do valor como entrada, com os outros 50% quitados em até um ano.
Segundo a liga, parcelamentos longos impactam diretamente o orçamento das franquias e o planejamento financeiro da temporada, motivo pelo qual não há abertura para flexibilização maior.
A posição do Botafogo
O Botafogo sustenta que o acordo firmado em junho de 2024 previa o pagamento dos US$ 21 milhões em quatro anos e afirma já ter quitado duas parcelas. De acordo com documentos apresentados pelo Atlanta à Fifa, no entanto, o valor total deveria ser pago até 30 de junho de 2026.
Outro ponto de impasse envolve os 10% a que Almada teria direito na negociação, conforme a legislação da MLS. O Atlanta chegou a exigir que o jogador abrisse mão desse percentual, o que foi recusado por seus advogados. Para viabilizar o negócio, ficou definido que a Eagle Football, empresa que controla a SAF do Botafogo, compraria esse crédito de US$ 2,1 milhões do atleta e, posteriormente, cobraria o valor da MLS.
O clube carioca afirma que discute esses 10% na Justiça dos Estados Unidos, enquanto o Atlanta cobra o montante na Fifa. Um dos argumentos do jurídico alvinegro é a existência de um débito da MLS com o Botafogo, tratado em outra esfera judicial.
Impacto esportivo e expectativa
O transfer ban não impede o Botafogo de negociar jogadores, mas dificulta o registro de reforços. O clube já acertou as contratações do zagueiro Ythallo e do atacante Lucas Villalba, que seguem treinando normalmente, mas ainda não foram inscritos. A punição também trava avanços em negociações, como a do meia Cristian Medina, do Estudiantes.
Uma nova rodada de reuniões está prevista para a próxima semana, com o CEO Thairo Arruda à frente das conversas. Internamente, o Botafogo mantém a expectativa de resolver o impasse antes do início do Campeonato Brasileiro, marcado para o fim de janeiro, apesar da resistência da MLS em aceitar os termos propostos pelo clube.