- Secretária do Ministério do Esporte negocia cota de ingressos populares para Copa do Mundo feminina de 2027.
- Governo busca democratizar acesso aos estádios e garantir público diverso durante o torneio.
- Copa de 2027 será realizada 13 anos após o Mundial masculino de 2014, com estrutura já quase pronta.
- Secretária defende pausa no calendário nacional para aumentar visibilidade do futebol feminino.
- Crise na Fifa não deve afetar organização da Copa, segundo a secretária da Secopa.
A nove meses do início da Copa do Mundo feminina de 2027, o Governo Federal negocia com a Fifa a criação de uma cota de ingressos a preços populares para o torneio, que será realizado pela primeira vez no Brasil. A informação foi dada pela secretária Juliana Agatte, chefe da Secretaria Extraordinária para a Copa (Secopa), do Ministério do Esporte, em entrevista ao ge.
Governo busca ampliar acesso aos estádios
Segundo Agatte, a proposta tem como objetivo ampliar o acesso da população aos jogos e garantir que os estádios recebam um público diverso.
“Nesse olhar do acesso e da democratização desse espaço, queremos que esse público diverso, com a cara do povo brasileiro, esteja presente nos estádios”, afirmou.
De acordo com a secretária, a Fifa tem demonstrado abertura para discutir a medida e levado em consideração a realidade brasileira.
A Copa de 2027 será realizada 13 anos após o Mundial masculino de 2014, também sediado pelo Brasil. Desta vez, no entanto, boa parte da estrutura necessária para receber as 32 seleções já está pronta, o que reduz a participação direta do poder público na preparação dos estádios e demais instalações.
Copa é vista como legado para o futebol feminino
Economista de carreira no setor público, Juliana Agatte assumiu a Secopa em fevereiro. A secretaria é responsável por coordenar ações entre as três esferas de governo e fazer a articulação com a Fifa.
Entre as atribuições do poder público estão áreas como segurança, logística e infraestrutura, além do cumprimento de exigências da entidade, como as isenções tributárias.
Para Agatte, o Mundial também deve servir para ampliar a participação de meninas e mulheres no esporte. Segundo ela, essa é uma das principais frentes de atuação do governo durante a preparação para a competição.
“A gente tem trabalhado em quatro frentes. Uma que entendemos que é a principal de participação do poder público é a questão do acesso e permanência de meninas e mulheres no esporte. Todos os indicadores para as mulheres são menores”, disse.
Juliana Agatte, secretária extraordinária para a Copa do Mundo de 2027 | Foto: Reprodução
Governo defende pausa no calendário
A secretária também defendeu a paralisação do calendário do futebol nacional durante a Copa do Mundo. A medida já estava prevista na candidatura brasileira ao Mundial, apresentada em 2023, e foi confirmada recentemente pela CBF.
Para Agatte, a interrupção das competições nacionais é uma oportunidade para ampliar a visibilidade do futebol feminino e discutir o desenvolvimento da modalidade no país.
“Ainda resistimos em dizer que o futebol feminino está aí, que é um produto, e ele é um produto importante, tem muitos patrocinadores. O futebol no Brasil ganha com isso. A Copa do Mundo de futebol feminino é uma oportunidade para a gente discutir o futebol brasileiro na sua amplitude, na sua diversidade.”
Crise na Fifa preocupa, mas não deve afetar Mundial
Agatte afirmou ainda acreditar que a crise envolvendo a Fifa não deverá interferir na organização da Copa no Brasil.
O presidente da entidade, Gianni Infantino, está sob pressão após a divulgação de um projeto para criar uma empresa com participação de investidores privados e que reuniria importantes direitos comerciais da Fifa. A proposta acabou abandonada, mas o episódio provocou reação de confederações como Uefa, AFC e Concacaf.
Apesar do cenário, os preparativos para o Mundial seguem avançando. Nos últimos meses, foram anunciados o calendário de jogos, a data do sorteio dos grupos, marcado para 11 de dezembro, e o início da seleção de voluntários.
“A nossa preocupação é que isso não impacte aqui. Mesmo as declarações recentes, a possibilidade de algumas seleções europeias não estarem presentes. A gente entende que a Fifa tem blindado esse assunto. Que essas agendas da governança das instituições do futebol estejam num outro lugar, e a gente consiga conduzir (a organização da Copa) da melhor forma possível, com o menor impacto”, afirmou.