- Ex-presidente Julio Casares foi expulso do São Paulo após votação do Conselho Deliberativo, com 223 votos a cinco.
- Comissão de Ética recomendou sua expulsão por gestão irregular, com indícios de saques de R$ 7 milhões.
- Casares devolveu R$ 560 mil ao clube e pode ser indenizado por danos materiais, conforme Estatuto Social.
- Outros associados do São Paulo também foram expulsos por envolvimento em investigações de camarotes clandestinos.
O ex-presidente Julio Casares foi expulso do São Paulo na quinta-feira (10), após votação do Conselho Deliberativo do clube. A decisão foi aprovada por 223 votos a cinco, encerrando o processo disciplinar contra o ex-dirigente no quadro associativo da instituição.
Casares foi alvo, nos últimos meses, de um processo na Comissão de Ética do São Paulo, que recomendou sua expulsão por suposta gestão temerária ou irregular. O ex-presidente também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público pelos mesmos motivos.
Julio Casares comandou o São Paulo de janeiro de 2021 a janeiro de 2026. Durante o período, o clube conquistou a Copa do Brasil, o Campeonato Paulista e a Supercopa Rei. No início deste ano, ele sofreu impeachment e deixou o cargo antes que o impedimento fosse submetido à votação dos sócios em Assembleia Geral.
Comissão de Ética recomendou expulsão
Os cinco integrantes da Comissão de Ética — Luiz Braga, Mario Celso Braga, Milton José Neves Junior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja — votaram de forma unânime pela expulsão de Casares.
A recomendação foi baseada em investigações internas que apontaram indícios de gestão temerária ou irregular durante o período em que Casares esteve à frente do clube. O ex-dirigente foi enquadrado no artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo.
O relatório elaborado pelo relator Luiz Braga cita aproximadamente R$ 7 milhões em saques das contas do clube, cuja documentação, segundo a comissão, não permitia comprovar adequadamente a origem, a finalidade e o destino dos valores.
Outro ponto analisado foram os gastos realizados por meio do cartão corporativo do São Paulo. O relatório menciona despesas em estabelecimentos de luxo, restaurantes, charutaria, salões de beleza, serviços médicos, medicamentos pessoais e até petshops.
O caso havia sido revelado em uma reportagem publicada em julho, que apontou cerca de R$ 1 milhão em gastos de Casares no cartão corporativo do clube. Entre as despesas estavam 71 pagamentos no Esch Café, estabelecimento especializado em charutos, 53 pagamentos no restaurante Gero e gastos em lojas de luxo.
Casares devolveu mais de R$ 560 mil ao clube
Em novembro do ano passado, quando já era investigado pela Polícia Civil por possíveis irregularidades na gestão, Casares devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo.
A Comissão de Ética também recomendou que o ex-presidente indenize o clube com base no artigo 11 do Estatuto Social, que prevê a penalidade para associado que “causar dano ou prejuízo material ao clube”. O valor da eventual indenização ainda será calculado.
Durante o processo, Casares chegou a pedir o encerramento da apuração na Comissão de Ética. O pedido, porém, não foi aceito.
O relatório aprovado pelo Conselho Deliberativo explicou que o Estatuto Social, em seu artigo 38, impede o pedido de demissão do quadro associativo durante um procedimento administrativo disciplinar até a conclusão do processo.
A Comissão de Ética destacou que a regra não impede que Casares deixe o quadro associativo do São Paulo posteriormente, mas determina que ele permaneça vinculado ao clube enquanto o procedimento disciplinar estiver em andamento.
Outros envolvidos também foram expulsos
A expulsão de Casares ocorre após outros integrantes do São Paulo também deixarem o quadro associativo em meio a investigações relacionadas à exploração de um camarote clandestino no Morumbis.
Douglas Schwartzmann, Mara Casares e Marcio Carlomagno também foram expulsos do clube nos últimos meses.