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MP recomenda paralisação de obras ligadas a Neymar no litoral de Pernambuco

Projeto em Tamandaré é um dos cinco empreendimentos questionados por falta de estudo ambiental; incorporadora afirma ter licenças

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  • MPPE recomenda paralisação de obras de cinco empreendimentos em Tamandaré por falta de EIA/RIMA.
  • Projeto 28, ligado a Neymar Jr., está entre os envolvidos e tem parceria com a NR Sports.
  • MPPE pede suspensão de licenças e revisão dos processos até a análise dos documentos.
  • Due Incorporadora afirma que o empreendimento está regular e possui documentos válidos.
  • EIA/RIMA é exigido para avaliar impactos ambientais e urbanos de grandes empreendimentos.
MP recomenda paralisação de obras ligadas a Neymar no litoral de Pernambuco | Foto: Reprodução
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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou a paralisação das obras de cinco empreendimentos imobiliários em Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco, por suposta falta de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Entre os projetos está o Projeto 28, da Due Incorporadora, que tem parceria com a NR Sports, empresa ligada ao jogador Neymar Jr. O MPPE também recomendou a suspensão de licenças e alvarás relacionados aos empreendimentos até a revisão dos processos.

Cinco empreendimentos

Além do Projeto 28, a recomendação envolve o Ecoresort Tamandaré, o Tamana Flow, o Villa Arcos Residence e o Green Sea Essence.

Segundo o MPPE, documentos apresentados pelos próprios empreendimentos indicam que as áreas construídas ultrapassam 5 mil metros quadrados, limite a partir do qual o estudo ambiental é exigido.

As recomendações foram encaminhadas às construtoras responsáveis, à Prefeitura de Tamandaré e à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).

Projeto ligado a Neymar

O Projeto 28, também chamado de Rota Due Caribe Brasileiro, é desenvolvido pela Due Incorporadora em conjunto com a NR Sports, empresa administrada pelo pai de Neymar, Neymar da Silva Santos.

A proposta é estruturar uma rota turística com 28 empreendimentos distribuídos entre destinos do litoral de Pernambuco e Alagoas. O projeto contempla áreas de Porto de Galinhas e Carneiros, em Pernambuco, além de Maragogi, Antunes e Japaratinga, em Alagoas.

O valor estimado para a rota é de R$ 7,5 bilhões.

A assessoria de Neymar Jr. informou que não vai se posicionar sobre a recomendação do MPPE.

O que o MP recomenda

O Ministério Público recomendou que a Prefeitura de Tamandaré suspenda cautelarmente alvarás e licenças, embargue as obras e revise os processos. Também foi pedido que não sejam concedidas novas licenças ou autorizações de ocupação até a análise das situações.

À CPRH, a recomendação é suspender as licenças ambientais e revisar os processos, além de não emitir ou renovar licenças para empreendimentos que não tenham o EIA/RIMA aprovado.

O órgão ambiental também deverá verificar se as obras atingem unidades de conservação e, quando necessário, comunicar o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

As recomendações também orientam a avaliação da compensação ambiental eventualmente devida.

Praia de Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco — Foto: ReproduçãoPraia de Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco — Foto: Reprodução/TV Globo

Prefeitura e CPRH têm prazo

O MPPE deu 10 dias para que a Prefeitura e a CPRH encaminhem documentos referentes aos processos de aprovação e licenciamento dos cinco empreendimentos.

O Ministério Público também orientou que as empresas não anunciem, vendam ou prometam novas unidades sem informar aos compradores que as licenças estão sob revisão e podem ser invalidadas.

A recomendação ainda orienta que compradores consultem a matrícula dos imóveis e solicitem às incorporadoras informações sobre a situação do licenciamento.

O que diz a Due

Em nota, a Due Incorporadora afirmou que o Projeto 28 está regular e possui documentos emitidos pelos órgãos públicos responsáveis.

A empresa informou que o empreendimento conta com o Alvará de Construção nº 47/2025, válido até 29 de maio de 2028, expedido pelo município, além da Licença de Instalação nº 01.25.07.004337-2, emitida pela CPRH e válida até 6 de julho de 2028.

A incorporadora também afirmou que está à disposição para prestar esclarecimentos e colaborar com o procedimento em andamento, além de reafirmar o compromisso com as exigências urbanísticas e ambientais.

Por que o estudo é exigido

O EIA/RIMA serve para avaliar os possíveis impactos de grandes empreendimentos sobre o meio ambiente e a estrutura urbana, incluindo questões como abastecimento de água, saneamento, mobilidade e preservação dos ecossistemas.

O MPPE destaca que Tamandaré possui recifes, manguezais e praias inseridos em áreas de proteção ambiental, o que, segundo o órgão, torna necessária a avaliação prévia dos impactos das construções.

A recomendação também determina que, no cálculo da área construída, seja considerada a área bruta total do empreendimento, sem dividir o projeto em blocos ou etapas para evitar a exigência do estudo ambiental.

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