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Polícia investiga possível fraude em recuperação judicial do Vasco; Pedrinho será intimado

Delegacia de Defraudações ouve funcionários e ex-funcionários do Vasco e intima presidente da Assembleia Geral, Alan Belaciano, e atual advogado de ex-jogador. Pedrinho será intimado

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  • Delegacia investiga fraude a credores no processo de recuperação judicial do Vasco, envolvendo ex-jogador Max.
  • Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral, é apurado por possível participação no caso de Max.
  • Vasco contesta aumento do crédito de Max, que passou de R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões.
  • Depoimentos apresentam versões divergentes sobre a inclusão do valor de R$ 8 milhões nos autos da recuperação.
  • Belaciano nega irregularidades e afirma que o caso é resultado de disputa política interna do clube.
Renato Brito, Paulo Salomão, Pedrinho e Alan Belaciano, em posse da chapa de Pedrinho, em 2024 | Foto: Dikran Sahagian/Vasco da Gama
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A Delegacia de Defraudações investiga uma possível fraude a credores no processo de recuperação judicial do Vasco. O inquérito, aberto em maio, tem como origem uma divergência sobre o valor de um crédito do ex-jogador Max, que atuou pelo clube no início dos anos 2010.

A investigação também apura a possível participação de Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral do Vasco, no caso. Belaciano era advogado de Max quando o ex-jogador ingressou com uma ação contra o clube, em 2016.

Crédito passou de R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões

O Vasco contestou na Justiça, em abril, os valores apresentados por Max no processo de recuperação judicial. O clube questionou a elevação do crédito, que teria passado de R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões.

Max já prestou depoimento à Polícia. Segundo o ex-jogador, seus atuais advogados são Sergio Aguiar e Moisés Gleicher, que o informaram sobre um valor de aproximadamente R$ 8 milhões a receber referente à ação de 2016. Ele afirmou, porém, que, em razão dos limites estabelecidos na recuperação judicial, teria cerca de R$ 5 milhões a receber.

Max também relatou que Belaciano participou de audiências em 2017 e 2019 a seu pedido, em razão da relação anterior entre os dois.

Polícia apura atuação de Belaciano

Belaciano deixou de representar Max em 2017 e transferiu a defesa para outro advogado, Moisés Gleicher, que também é investigado no inquérito. A Polícia apura se Belaciano manteve participação no caso ou teria adotado alguma medida para continuar atuando no processo. Na época em que o Vasco contestou o aumento do crédito, ele já ocupava a presidência da Assembleia Geral do clube.

O caso provocou protestos de sócios. Na ocasião, Belaciano afirmou que não havia participado da elaboração, negociação ou aceitação de acordo com qualquer credor.

Em manifestação ao ge, Belaciano negou irregularidades e afirmou que o caso estaria sendo utilizado em uma disputa política interna do grupo que elegeu o presidente Pedrinho. Segundo ele, o Vasco e os escritórios que representavam o clube reconheciam um valor de aproximadamente R$ 7 milhões, que chegaria a pouco mais de R$ 8 milhões após correções.

Belaciano também afirmou que deixou de trabalhar para Max em 2017, quando o grupo político Sempre Vasco venceu as eleições.

Depoimentos apresentam versões diferentes

O inquérito já ouviu integrantes e ex-integrantes do Vasco. Entre eles estão Carlos Amodeo, ex-CEO do clube, Bianca Reis, ex-diretora jurídica, Adriana Zamponi, representante da Wald Administração de Falências, administradora judicial do processo, e Gabriel Souza, funcionário da Alvarez & Marsal e atual diretor financeiro do Vasco.

Amodeo e Bianca Reis disseram à Polícia que foram alertados sobre uma possível irregularidade no fechamento do balanço de 2025. Segundo os dois, o crédito de aproximadamente R$ 8 milhões teria sido incluído nos autos da recuperação judicial pelo próprio credor.

Os ex-dirigentes também afirmaram que Belaciano se colocou à disposição da SAF para atuar como interlocutor com advogados trabalhistas durante a fase de mediação, mas que essa atuação ocorreu de maneira informal.

A versão apresentada por Adriana Zamponi é diferente. Segundo ela, o Vasco e a SAF reconheciam como incontroversos valores próximos de R$ 7,9 milhões, com divergências relacionadas a verbas previdenciárias e Imposto de Renda. Após novos cálculos, a administradora chegou a um valor próximo de R$ 8 milhões.

A representante da administradora judicial afirmou ter ficado surpresa com a mudança de posicionamento do clube e da SAF em relação ao crédito anteriormente reconhecido.

Belaciano e Pedrinho ainda serão ouvidos

Belaciano foi intimado duas vezes, mas não compareceu para prestar depoimento. Ele deverá ser convocado novamente. Moisés Gleicher também foi chamado, mas ainda não compareceu. O presidente do Vasco, Pedrinho, também será ouvido pela Polícia. A previsão da Delegacia de Defraudações é concluir o inquérito dentro de aproximadamente um mês.

O caso também foi mencionado no parecer sobre o balanço financeiro do Vasco de 2025. Integrantes do Conselho Fiscal da SAF cobraram a apuração da atuação de Belaciano como possível negociador do clube na classe 1 de credores.

Segundo o parecer, a participação dele poderia representar um possível conflito de interesses, considerando seu histórico como advogado trabalhista em processos anteriores contra o Vasco, nos quais os autores também eram credores da mesma classe.

O Conselho Fiscal pediu esclarecimentos sobre sete casos que o Vasco e a SAF tentam contestar na recuperação judicial. As cobranças questionadas somam R$ 10,8 milhões, incluindo o crédito de Max.

O que diz Alan Belaciano

"Eu não sou investigado, não negociei valores e não fiz nenhum cálculo na recuperação judicial. Advogado não faz conta. Os valores, a forma de pagamento e toda a estrutura da negociação foram definidos pelos escritórios especializados em recuperação judicial. A Dra. Bianca Reis reconheceu isso em seu depoimento e o Felipe Carregal disse o mesmo em entrevistas.

Quando tomei posse no Vasco, deixei de advogar para o atleta Max e para qualquer outra parte em processos contra o clube. A pedido do Carlos Amodeo, atuei de forma pontual apenas para aproximá-lo dos advogados dos credores, porque o Vasco precisava recuperar a credibilidade que tinha perdido com quem tinha dinheiro a receber do clube.

Em janeiro, a própria Dra. Bianca Reis assinou uma petição concordando com o valor de aproximadamente 8 milhões de reais. O administrador judicial e o juiz concordaram e o valor entrou no plano da recuperação judicial. Quando veio o racha na diretoria, os executivos da SAF resolveram pedir a impugnação dessa mesma petição, contrariando a orientação dos escritórios contratados pelo próprio clube e sem avisar o presidente Pedrinho.

Até pouco tempo ninguém falava desse assunto. A denúncia anônima de "um vascaíno apaixonado" só aparece depois do racha, e o assunto é requentado no período eleitoral, justamente quando a Justiça deu sinal verde para a qualificação do novo investidor.

A Dra. Bianca Reis, o Felipe Carregal e o Silvio Almeida eram os responsáveis por fiscalizar esse processo dentro do Vasco e ficaram calados até o rompimento. Então por que agora querem colocar o meu nome nisso? Quem deve explicação são eles."

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