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Vai cair? Uefa afirma ter perdido a confiança em Infantino na Fifa

Entidade europeia afirma que presidente da Fifa descumpriu promessas de transparência e critica tentativa de vender participação comercial da Copa do Mundo

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  • A Uefa perdeu a confiança em Infantino após ele abandonar o plano de criar empresa para gerenciar direitos da Copa do Mundo.
  • O projeto foi criticado por falta de transparência e foi abandonado após reações negativas da comunidade do futebol.
  • Confederações como Uefa, AFC e Concacaf se opuseram ao plano, impedindo sua aprovação na Fifa.
  • A Uefa prometeu trabalhar com outras federações para reformular a governança da Fifa e evitar repetição de erros.
  • Infantino justificou o cancelamento do projeto dizendo que ele causou divisões na comunidade do futebol.
Gianni Infantino, presidente da Fifa | Foto: Reuters
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A Uefa afirmou neste sábado (1º) que perdeu a confiança em Gianni Infantino como presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), um dia após a entidade máxima do futebol desistir do plano de criar uma empresa para administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e vender participações a investidores privados. Em nota, a confederação europeia classificou o projeto como "sórdido", criticou a falta de transparência e anunciou que trabalhará com outras federações para evitar que propostas semelhantes voltem a ser apresentadas.

Uefa critica falta de transparência

No comunicado, a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) afirmou que a atual gestão da Fifa deixou de cumprir compromissos assumidos por Infantino quando foi eleito, em 2016.

"A atual liderança da Fifa perdeu não apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol", declarou a entidade.

A Uefa também lembrou que, ao assumir a presidência da Fifa, Infantino prometeu transparência e afirmou que os recursos da entidade deveriam ser destinados ao desenvolvimento do futebol.

"Ele não cumpriu nenhuma dessas duas promessas. O acordo sórdido, obscuro e de bastidores que ele arquitetou e tentou impor à força foi tudo, menos transparente", afirmou a confederação.

Projeto foi abandonado após reação internacional

Na sexta-feira (31), a Fifa anunciou oficialmente que não dará continuidade ao projeto de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que administraria os direitos comerciais das principais competições da entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes.

O objetivo da iniciativa era vender uma participação minoritária da empresa a investidores privados e arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões).

Ao justificar o recuo, Infantino afirmou que a proposta acabou provocando divisões entre os integrantes da comunidade do futebol.

"Após ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões que, independentemente do nível de apoio, já não servem ao objetivo inicialmente proposto. Consequentemente, esta proposta não prosseguirá", informou a Fifa.

Oposição das confederações foi decisiva

A proposta enfrentou forte resistência internacional desde que veio a público. A Uefa foi a primeira entidade a se posicionar contra o projeto e chegou a anunciar que suas 55 federações filiadas poderiam boicotar futuras competições organizadas pela Fifa caso a medida avançasse.

Na sequência, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) também divulgaram comunicados rejeitando a iniciativa.

Juntas, as três confederações representam 143 dos 211 membros da Fifa, número suficiente para inviabilizar a aprovação da proposta. Posteriormente, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) também se manifestou, enquanto as confederações da África e da Oceania convocaram reuniões para discutir o tema.

Entidade promete discutir mudanças na governança

Além das críticas ao projeto, a Uefa informou que pretende trabalhar em conjunto com suas associações nacionais e outras confederações para discutir mudanças na governança da Fifa.

"É correto que, nos próximos dias e semanas, a Uefa trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que não volte a ocorrer. Essa análise deve ser minuciosa e fundamental. Nenhuma opção deve ser descartada", destacou a entidade.

Ao final do comunicado, a Uefa agradeceu às ligas, clubes, jogadores, torcedores, federações e autoridades públicas que se manifestaram contra o projeto.

"A Uefa agradece a todos os torcedores, ligas, clubes, jogadores, indivíduos, associações e confederações que se opuseram ao projeto, bem como aos muitos primeiros-ministros, chefes de Estado e comentaristas que demonstraram ao presidente da Fifa que o futebol não está à venda", concluiu.

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