A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira (21), uma operação contra a venda ilegal de camarotes no estádio Morumbis, do São Paulo Futebol Clube. Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão. Entre os alvos da investigação estão:
Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base do São Paulo;
Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, presidente afastado do clube, e que atuava como diretora feminina, cultural e de eventos;
Rita Adriana, apontada pela polícia como a responsável por negociar ilegalmente os camarotes.
Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram licença de seus cargos. Em nota, os advogados de defesa negam as acusações e afirmam que os áudios divulgados foram retirados de contexto.
O São Paulo Futebol Clube vive uma das maiores crises políticas e institucionais de sua história recente. Além da operação policial, o clube enfrenta escândalos internos sucessivos e teve o presidente Julio Casares afastado após uma votação de impeachment no Conselho Deliberativo.
Investigação aponta possíveis crimes
Paralelamente ao processo político interno, a Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar possíveis crimes relacionados à gestão do clube. Julio Casares poderá responder por:
Associação criminosa;
Furto qualificado;
Apropriação indébita.
Conforme a investigação, o São Paulo FC é considerado vítima. Entre 2021 e 2025, teriam sido realizados saques em dinheiro vivo que somam cerca de R$ 11 milhões das contas do clube. Inicialmente, os saques eram feitos por funcionários do São Paulo e, posteriormente, por uma empresa de transporte de valores.
Depósitos em conta pessoal levantam suspeitas
Ainda segundo a polícia, no mesmo período, houve depósitos na conta pessoal de Julio Casares que totalizam aproximadamente R$ 1,5 milhão. O advogado do presidente afastado, Bruno Borragini, negou qualquer ligação entre os saques do clube e os depósitos pessoais. A defesa afirma que Casares, antes de assumir a presidência, atuava como publicitário e recebia parte de sua remuneração em dinheiro vivo, o que explicaria os valores.
Clube justifica saques
Já o advogado do São Paulo FC, Pedro Iokoi, alegou que os saques em espécie eram necessários para cobrir despesas do futebol que exigiriam pagamento em dinheiro, como arbitragem e premiações a jogadores. Na semana passada, o clube contratou peritos independentes para reunir notas fiscais e tentar comprovar a destinação dos valores sacados.