Um grupo de sócios e conselheiros protocolou, no Conselho Deliberativo do Corinthians, um pedido de impeachment contra o presidente Osmar Stabile. O documento solicita o afastamento imediato do dirigente e aponta supostas violações ao Estatuto Social do clube e à legislação vigente.
O principal ponto do requerimento envolve o acordo firmado entre o Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), responsável pela cobrança de dívidas da União, para a regularização de um débito estimado em R$ 1,2 bilhão.
Segundo o texto, a diretoria teria utilizado o Parque São Jorge como garantia no acordo. O conjunto de imóveis que compõe a sede social do clube está avaliado em R$ 602,2 milhões.
O documento detalha que os pagamentos foram divididos em 120 parcelas mensais para débitos não previdenciários e 60 para os previdenciários, com previsão de quitação em cerca de dez anos. A dívida, considerada de difícil recuperação pela PGFN, incluía valores não previdenciários (R$ 1 bilhão), previdenciários (R$ 200 milhões) e de FGTS (R$ 15 milhões). Com desconto de 46,6% sobre juros, multas e encargos, o montante foi reduzido para R$ 679 milhões.
críticas por falta de transparência
Os autores do pedido alegam que a medida foi adotada sem o cumprimento das exigências estatutárias e que pode configurar desoneração patrimonial.
Além disso, o documento levanta questionamentos sobre a transparência da atual gestão e cita possíveis irregularidades administrativas, como a manutenção da Neo Química Arena, a distribuição de ingressos e credenciais e a contratação de empresa de segurança armada.
Declarações sobre “funcionários fantasmas”
O texto também menciona uma entrevista concedida por Stabile no início de abril, na qual o presidente afirmou haver funcionários fantasmas no clube. O grupo cobra providências para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos.
O pedido de impeachment ocorre após a destituição do ex-presidente Augusto Melo, em 9 de agosto de 2025, após aprovação em Assembleia Geral. O processo foi motivado pelo chamado 'Caso VaideBet', no qual ele se tornou réu por associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado. Com o afastamento, o então 1º vice-presidente, Osmar Stabile, assumiu a presidência do clube.