Cerca de 34 horas depois da derrota para o Lanús no Maracanã, que resultou no segundo título perdido em menos de dois meses em 2026, o elenco do Flamengo se reapresentou na manhã deste sábado, no Ninho do Urubu, em meio a um ambiente de forte pressão.
Na entrada do centro de treinamento, aproximadamente 50 torcedores organizados realizaram um protesto. Com faixas e gritos, os alvos principais foram o técnico Filipe Luís e o diretor executivo de futebol, José Boto.
Uma das faixas ironizava o treinador: “Felipe Luiz (sic) e suas metodologias”. Outras traziam críticas diretas à diretoria, com mensagens como “Boto incompetente” e “diretoria amadora”. Aos jogadores, o recado também foi duro: “Salário em dia, porrada em falta”. A Polícia Militar foi acionada para reforçar a segurança no local.
Apesar da tensão, o protesto ocorreu de forma pacífica. Os torcedores tentaram abrir diálogo com o elenco e pediram autorização para que líderes das organizadas entrassem no CT, mas não houve permissão. A conversa se limitou ao chefe de segurança do clube. Os manifestantes avisaram que os protestos devem continuar até que haja uma reunião com os jogadores.
Após o treino, os atletas deixaram o centro de treinamento sem contato com a torcida.
Pressão interna e desgaste
Hostilizado no Maracanã após a perda da Recopa, Filipe Luís enfrenta o momento mais delicado desde que assumiu o comando do Flamengo, em outubro de 2024. O desgaste, porém, não é apenas externo.
Internamente, repercutiu mal a declaração do treinador na coletiva após a derrota para o Lanús, quando afirmou que a equipe “fez um grande jogo”. Há também insatisfações no elenco em relação às metodologias adotadas.
Filipe Luís tem o hábito de não definir um time titular fixo nos treinamentos, misturando formações nas atividades e revelando a escalação apenas na preleção. Na decisão da Recopa, os jogadores souberam quem iniciaria a partida pouco antes do aquecimento.
Outro ponto de incômodo é a comunicação. Parte do grupo avalia que o diálogo fica restrito aos líderes do elenco, Arrascaeta, Bruno Henrique, Danilo, Jorginho, Léo Pereira e Alex Sandro. A relação com esse núcleo é considerada boa, e o treinador mantém o controle do vestiário, mas há consenso entre pessoas próximas ao dia a dia do clube de que o ambiente está estremecido.
Trabalho mantido
Apesar do cenário turbulento, o trabalho de Filipe Luís segue mantido, assim como o de José Boto. O presidente Bap mantém confiança no diretor de futebol, que é ouvido nas principais decisões da área.
No entanto, a relação entre o presidente e o treinador já apresentava desgaste desde o processo de renovação contratual no fim do ano passado, um episódio considerado longo e desgastante nos bastidores.