- O Haiti classificou-se para a Copa do Mundo após 52 anos sem participação.
- A seleção haitiana enfrenta uma grave crise de segurança, com grupos armados controlando 80% a 90% da capital Porto Príncipe.
- O estádio Sylvio Cator foi invadido por gangues armadas em 2024 e o Haiti mandou seus jogos das Eliminatórias em Curaçao.
- A seleção haitiana tem apenas um jogador atuando atualmente no futebol do país, enquanto a maioria dos atletas construiu suas carreiras na Europa ou América do Norte.
Enquanto se prepara para enfrentar o Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, o Haiti carrega uma das histórias mais marcantes do torneio. A classificação histórica acontece em meio ao avanço da violência armada, à destruição de estruturas esportivas e a uma crise política que transformou o cotidiano da população haitiana nos últimos anos.
Violência domina a capital
O Haiti vive uma grave crise de segurança. Segundo dados das Nações Unidas, grupos armados controlam entre 80% e 90% de Porto Príncipe, a capital do país. A situação se agravou após o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021, e provocou deslocamentos em massa, aumento da fome e colapso de serviços essenciais.
Seleção joga fora de casa
A violência também atingiu o futebol. O estádio Sylvio Cator, principal palco esportivo do país e casa da seleção haitiana, foi invadido por gangues armadas em 2024. Desde então, o Haiti precisou mandar seus jogos das Eliminatórias em Curaçao, longe de seus torcedores.
Centro de formação da Fifa destruído
Em fevereiro deste ano, membros de gangues incendiaram o Centro Goal da Fifa, em Croix-des-Bouquets. O local era considerado um dos principais polos de formação esportiva do país e ajudou a revelar diversos atletas que defenderam a seleção haitiana ao longo das últimas décadas.
Apenas um atleta da seleção atual no futebol do país
Dos 26 convocados para a Copa do Mundo, apenas um jogador atua atualmente no futebol haitiano. A maioria dos atletas construiu suas carreiras em clubes da Europa, América do Norte e Caribe, reflexo das dificuldades enfrentadas pelo esporte dentro do país.
Técnico nunca pisou no Haiti
O francês Sébastien Migné assumiu a seleção em 2024 e se tornou um dos responsáveis pela classificação histórica para a Copa. Curiosamente, ele nunca esteve no Haiti. Em entrevistas, afirmou que as condições de segurança impedem sua presença no país e que sequer há voos internacionais operando normalmente.
Classificação histórica após 52 anos
Mesmo em meio ao caos, o Haiti conseguiu um feito histórico. A seleção garantiu vaga na Copa do Mundo após derrotar a Nicarágua nas Eliminatórias, encerrando uma espera de 52 anos. A conquista levou milhares de torcedores às ruas e foi celebrada como um raro momento de alegria para a população.
Estreia com derrota
A volta do Haiti à Copa do Mundo começou com derrota. Na estreia, disputada no dia 13 de junho, em Boston, a seleção caribenha foi superada pela Escócia por 1 a 0.
Próximo desafio é o Brasil
Integrante do Grupo C, ao lado de Brasil, Escócia e Marrocos, o Haiti chega ao Mundial como uma das histórias mais emocionantes da competição. Em meio a uma grave crise política e humanitária, a seleção caribenha tenta transformar o futebol em símbolo de resistência e esperança para um país que luta diariamente para sobreviver