- Michel Kuka Mboladinga homenageia Patrice Lumumba com gesto imóvel durante jogos da seleção congolesa.
- Patrice Lumumba foi líder da independência da República Democrática do Congo em 1960 e é considerado herói nacional.
- Mboladinga ganhou projeção na Copa Africana de Nações de 2025 com a homenagem e agora integra a delegação oficial da seleção congolesa.
- Ele não pôde viajar para a estreia contra Portugal por conta de restrições de deslocamento relacionadas à epidemia de ebola no país.
Quem acompanha os jogos da República Democrática do Congo na Copa do Mundo de 2026 tem se deparado com uma figura já conhecida nas arquibancadas: Michel Kuka Mboladinga.
Vestido com as cores da seleção, ele permanece imóvel durante os 90 minutos das partidas, com o braço erguido. O gesto se tornou uma homenagem a um dos principais heróis nacionais do país, morto há mais de seis décadas.
para quem é a homenagem
A postura reproduz a imagem de Patrice Lumumba, líder da independência da República Democrática do Congo e um dos principais símbolos da luta anticolonial no continente africano.
A referência à estátua erguida em homenagem ao ex-primeiro-ministro, em Kinshasa, transformou a performance do torcedor em um ato simbólico nas arquibancadas.
Mboladinga ganhou projeção durante a Copa Africana de Nações de 2025, quando passou a repetir a mesma postura imóvel durante os jogos da seleção congolesa.
A homenagem rapidamente viralizou, chamando atenção de torcedores, da imprensa e da própria delegação da República Democrática do Congo, que o convocou para fazer parte da delegação oficial do país.
Quem foi Patrice Lumumba
Patrice Emery Lumumba é considerado um herói nacional e principal liderança do processo que levou a República Democrática do Congo à independência da Bélgica, em 1960.
Antes disso, o território viveu um dos períodos coloniais mais violentos da história moderna. Inicialmente sob controle do rei Leopoldo II, o então Estado Livre do Congo foi marcado por exploração e trabalho forçado. Estimativas históricas apontam que até 10 milhões de congoleses morreram entre o fim do século XIX e o início do século XX.
Nesse contexto, Lumumba emergiu como líder político, defendendo a unidade nacional e a autodeterminação dos povos africanos. Ele fundou o Movimento Nacional Congolês (MNC) e se tornou a principal voz pela independência do país.
Com a independência, em junho de 1960, assumiu o cargo de primeiro-ministro, mas permaneceu pouco tempo no poder.
Fim trágico e legado
Preso por adversários políticos, Lumumba foi executado em 17 de janeiro de 1961. Após sua morte, o corpo foi dissolvido em ácido para evitar qualquer local de peregrinação política. Restou apenas uma coroa dentária de ouro, devolvida à família pela Bélgica em 2022, mais de 60 anos depois.
Sua morte o transformou em mártir da independência congolesa e em um dos principais símbolos da luta contra o colonialismo na África.
Presença na Copa
Mboladinga integra a delegação oficial da seleção da República Democrática do Congo, mas não conseguiu viajar a tempo da estreia contra Portugal, nesta quarta-feira (17), por conta de restrições de deslocamento relacionadas à epidemia de ebola no país.
A expectativa, segundo a delegação, é que ele esteja presente nas próximas partidas da equipe na Copa do Mundo.