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Seleção sonha com a Copa do Mundo de 2030 enquanto enfrenta ameaça de sumir do mapa

País do Oceano Pacífico busca filiação à Fifa e vê no futebol uma forma de chamar atenção para os impactos da crise climática

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  • Kiribati busca disputar Copa do Mundo antes da crise climática comprometer seu território.
  • País insular do Oceano Pacífico luta contra a elevação do nível do mar e erosão costeira.
  • Federação de Futebol de Kiribati busca colaborações internacionais para desenvolver o esporte local.
  • Objetivo é construir bases esportivas e institucionais para participar das eliminatórias da Copa do Mundo em 2030.
Estrutura do futebol nas Ilhas Kiribati é extremamente precária, mas país sonha com a Copa 2030 | Foto: Divulgação / Federação de Futebol de Kiribati
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Até mesmo as menores nações do planeta alimentam o sonho de disputar uma Copa do Mundo. Em Kiribati, porém, esse desejo ganhou um significado que vai além do esporte. Enquanto tenta construir condições para integrar o futebol internacional, o país insular do Oceano Pacífico trava uma corrida contra o tempo: conquistar espaço no cenário esportivo antes que os efeitos da crise climática comprometam seu próprio território.

Localizado no centro do Pacífico, Kiribati é formado por 33 ilhas e atóis de coral, dos quais 21 são desabitados. A principal delas, Tarawa do Sul, concentra grande parte da população e enfrenta problemas de superlotação. Pela posição geográfica e pelo fuso horário, o país costuma estar entre os primeiros do mundo a celebrar a chegada do Ano Novo.

Mas a paisagem de águas cristalinas e praias de areia branca convive com uma ameaça crescente. A elevação do nível do mar, associada às mudanças climáticas, coloca Kiribati entre os países mais vulneráveis do planeta. O arquipélago já sofre com erosão costeira, inundações e deslocamentos populacionais, fenômenos que afetam também outras nações insulares da região.

Ilhas Kiribati correm o risco de desaparecer do mapa por causa da elevação do nível do mar | Foto: Secretaria de Turismo do governo de Kiribati

O país que corre contra o relógio

As temperaturas dos oceanos no Pacífico vêm aumentando em ritmo acelerado, segundo dados das Nações Unidas. Em Kiribati, a preocupação é ainda maior devido à baixa altitude das ilhas, o que amplia a vulnerabilidade diante da elevação do nível do mar.

Nesse contexto, cresce o temor de que parte significativa do território se torne inabitável nas próximas décadas, colocando em risco a permanência de mais de 100 mil habitantes em suas terras de origem.

Uma Copa antes do desaparecimento

Diante desse cenário de incerteza, a Federação de Futebol de Kiribati (KIFF) lançou um apelo à comunidade internacional. A entidade busca atrair dirigentes, treinadores e ex-jogadores dispostos a colaborar com o desenvolvimento do futebol local e ajudar a estruturar um projeto capaz de aproximar o país de uma eventual participação nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2030.

Para a edição de 2026, essa possibilidade já está descartada. O objetivo agora é construir as bases esportivas e institucionais necessárias para que Kiribati possa sonhar com um lugar no cenário internacional.

"O aumento do nível do mar já está afetando a vida cotidiana em Kiribati. Muitos campos estão localizados a apenas alguns metros do nível do mar. Estamos enfrentando um fantasma. Erosão se tornou cada vez mais comum. Além de infraestrutura, as mudanças climáticas estão afetando a moradia das pessoas, que são obrigadas a se mudar. Em Kiribati, o futebol é mais do que esporte. É uma forma da comunidade se manter conectada, compartilhar uma causa, ter identidade", afirmou Eriati Reebo, presidente da federação de futebol do país.

Ilhas Kiribati | Foto: Divulgação / Governo das Ilhas Kiribati

O futebol como causa nacional

Mais do que buscar uma vaga em uma Copa do Mundo, a iniciativa pretende ampliar a visibilidade internacional dos impactos da crise climática sobre comunidades vulneráveis do Pacífico.

A avaliação da KIFF é que o futebol, por sua capacidade de mobilização global, pode ajudar a sensibilizar públicos de diferentes partes do mundo para uma realidade frequentemente distante dos grandes centros de decisão política e econômica.

A ideia atrás do projeto é simples: começar uma conversa global, mais do que simplesmente pedir para participar da Copa. O objetivo é chamar a atenção para a urgência da realidade enfrentada por países como Kiribati. A Copa do Mundo de 2030 representa uma oportunidade única para alertar sobre a piora do clima no Pacífico. O que acontece quando uma nação inteira desaparece, mas sua população, cultura e sonhos ainda existem?

As nações insulares do Pacífico respondem por apenas 0,02% das emissões globais de gases de efeito estufa, embora estejam entre as mais expostas aos efeitos das mudanças climáticas.

O sonho de entrar na Fifa

Embora seja um Estado soberano reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), Kiribati ainda não integra a Fifa e, por isso, não pode disputar as eliminatórias da Copa do Mundo. O país já manifestou formalmente à Confederação de Futebol da Oceania (OFC) o interesse de ampliar sua participação nas estruturas do futebol regional e internacional.

O processo de filiação, porém, é complexo. Entre as exigências estão uma federação organizada, competições nacionais regulares, calendário esportivo estruturado, programas de desenvolvimento e infraestrutura adequada para a prática do esporte.

Para um país geograficamente isolado e com recursos limitados, atender a esses requisitos representa um desafio significativo.

Essa pequena nação do Pacífico já possui uma seleção nacional. A maior parte dos atletas vive na capital, Tarawa, enquanto outros estão espalhados por países como Fiji, Nova Zelândia e Austrália, destinos que receberam comunidades kiribatianas por motivos de trabalho, estudo e também em razão das transformações ambientais enfrentadas pelo arquipélago.

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