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Estudantes do IFMA desenvolvem absorvente biodegradável feito com sementes de juçara

Produto utiliza fibras naturais que seriam descartadas, apresenta alto potencial de absorção e pode ajudar a combater a pobreza menstrual e reduzir impactos ambientais.

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  • Estudantes do IFMA desenvolvem absorvente biodegradável a partir de resíduos de sementes de juçara.
  • Produto apresenta absorção superior a fibras naturais e desintegra-se rapidamente em água.
  • Projeto busca reduzir impacto ambiental e combater pobreza menstrual com tecnologia sustentável.
  • Pesquisa conquista terceiro lugar no Prêmio Fapema e avança para novas etapas de desenvolvimento.
  • Estudantes destacam conquistas científicas e contribuição para questões sociais e ambientais.
A iniciativa busca reaproveitar resíduos que normalmente seriam descartados para desenvolver uma alternativa de higiene menstrual com potencial de baixo custo e menor impacto ambiental. | Foto: REPRODUÇÃO
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Uma pesquisa desenvolvida por estudantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) criou um absorvente íntimo biodegradável produzido a partir de fibras naturais de sementes de juçara, fruto conhecido como açaí em outras regiões do Brasil. A iniciativa busca reaproveitar resíduos que normalmente seriam descartados para desenvolver uma alternativa de higiene menstrual com potencial de baixo custo e menor impacto ambiental.

O projeto foi realizado no Campus São Luís pelas estudantes Sabrina Mendes e Haylana Lima, alunas do curso técnico em Meio Ambiente e bolsistas de iniciação científica do Ensino Médio. A pesquisa foi orientada pela professora Laurinda Siqueira.

O material passou por diferentes tratamentos para melhorar sua capacidade de absorção. Nos testes realizados com uma solução que simula a viscosidade do sangue, o produto apresentou absorção equivalente a 3,57 vezes sua massa seca, resultado superior aos índices encontrados na literatura para fibras naturais como algodão, cânhamo e linho.

Os experimentos também apontaram rápida desintegração em água sob agitação e redução de até 92% da massa do material após 90 dias, em temperatura ambiente, indicando seu potencial de biodegradação.

 Pesquisa une inovação e sustentabilidade

O desenvolvimento do absorvente envolveu avaliações de absorção, inchamento, solubilidade em água, pH e degradação. A proposta é transformar um resíduo natural em matéria-prima para um produto que possa reduzir os impactos ambientais provocados pelos absorventes descartáveis convencionais.

O estudo é realizado há cinco anos e marcou a primeira experiência científica das duas estudantes. Atualmente no terceiro ano do Ensino Médio, elas comemoram os resultados e a participação como coautoras do pedido de patente.

“Para mim isso representa uma conquista muito grande. É evidente que o estudo e a ciência nos levam a lugares que aparentemente estão distantes da nossa realidade”, afirma Sabrina Mendes.

As estudantes também destacam que a experiência contribuiu para o desenvolvimento de habilidades laboratoriais, comunicação e escrita científica, além de ampliar a compreensão sobre questões ambientais e sociais.

Protótipo utiliza fibras de sementes de juçara, resíduo do processamento do fruto. Foto: Divulgação/IFMA

Produto pode ajudar a combater a pobreza menstrual

Além dos benefícios ambientais, a iniciativa tem potencial para contribuir com o enfrentamento da pobreza menstrual, problema caracterizado pela falta de acesso a absorventes, infraestrutura adequada e informações sobre menstruação e saúde menstrual.

A possibilidade de produzir o material a partir de resíduos de juçara também pode favorecer futuras cadeias produtivas locais e valorizar recursos naturais da região.

“O que me motivou foi quando começamos os estudos bibliográficos e percebemos o quanto a pobreza menstrual é um problema no Brasil e no mundo. Foi muito gratificante fazer parte de uma pesquisa que busca ajudar tanto as mulheres quanto o meio ambiente”, comenta Haylana Lima.

A professora Laurinda Siqueira ressalta que a pesquisa permite às estudantes desenvolver habilidades científicas, desde a elaboração de hipóteses até a realização de experimentos e interpretação dos resultados.

“Mais do que isso, percebem que a ciência pode contribuir para responder a necessidades reais da população”, destaca.

Pesquisa conquista prêmio e avança para novas etapas

Sabrina Mendes e Haylana Lima. Foto: Divulgação IFMA 

O trabalho conquistou o terceiro lugar no Prêmio Fapema 2026, na categoria Pesquisador Júnior, e também resultou em um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A próxima etapa prevê novos testes e experimentos para aprimorar o produto. A expectativa é avançar no desenvolvimento da tecnologia para que, futuramente, ela possa beneficiar um número maior de pessoas.

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