SEÇÕES

Duas mulheres são vítimas de ataques com gasolina em menos de 48 horas no Maranhão

Casos registrados em Barreirinhas e Rosário deixaram duas mulheres gravemente feridas; um suspeito foi preso e outro continua foragido.

Ver Resumo
  • Dois casos de tentativa de feminicídio com gasolina foram registrados em menos de 48 horas no Maranhão, deixando duas mulheres gravemente feridas.
  • Em Barreirinhas, uma jovem foi incendiada por seu companheiro após uma discussão, fugindo das chamas com ajuda de vizinhos e permanecendo internada.
  • O suspeito fugiu levando a filha do casal, que foi encontrada em São Luís e entregue aos familiares da vítima, que vive sob medo da retomada da violência.
  • Em Rosário, um homem foi preso por tentar matar a ex-companheira com gasolina, após uma discussão, e segue internado em estado grave em hospital de São Luís.
  • Pesquisa revela que 54% das brasileiras já sofreram violência doméstica, com a Lei Maria da Penha considerada insuficiente por 82% dos entrevistados.
Crimes aconteceram em cidades diferentes e evidenciam a gravidade da violência de gênero no estado. | Foto: REPRODUÇÃO
Siga-nos no

Dois casos de tentativa de feminicídio cometidos com o uso de gasolina foram registrados em um intervalo inferior a 48 horas no Maranhão. Os crimes aconteceram nos municípios de Barreirinhas e Rosário e deixaram duas mulheres gravemente feridas, reforçando o alerta para a violência contra a mulher no estado.

 Mulher é incendiada pelo companheiro em Barreirinhas

O primeiro caso ocorreu na segunda-feira (27), em Barreirinhas, onde uma jovem de 26 anos sofreu queimaduras graves após ser atacada pelo próprio companheiro.

Segundo relato da vítima, identificada como Nathieli Pereira, o homem teria planejado o crime após uma discussão ocorrida na noite anterior. Ela contou que o suspeito foi até a oficina onde trabalhava como mecânico para buscar um galão de gasolina e, ao retornar para casa, iniciou uma nova briga.

Durante a agressão, Nathieli afirma ter sido atingida com um pedaço de madeira. Em seguida, o companheiro despejou gasolina sobre seu corpo e ateou fogo.

A vítima conseguiu escapar das chamas ao jogar água sobre a cabeça, retirar as roupas incendiadas e correr para a rua, onde recebeu ajuda de vizinhos.

Ela permanece internada para tratamento das queimaduras.

Filha do casal foi levada após o crime

Depois do ataque, o suspeito fugiu levando a filha do casal, uma menina de quatro anos. Horas mais tarde, a criança foi localizada em São Luís e entregue aos familiares da mãe pela avó paterna.

Mesmo hospitalizada, Nathieli afirmou viver sob medo enquanto o agressor permanece foragido.

 "Ele destruiu a minha vida e a da minha filha. Ela está traumatizada, fazendo acompanhamento psicológico. Tenho medo do que ainda possa acontecer", relatou.

A Polícia Civil continua realizando buscas para localizar o suspeito, que deverá responder por tentativa de feminicídio.

Investigado é preso por crime semelhante em Rosário

O segundo caso foi registrado em Rosário. Na manhã da quarta-feira (29), a Polícia Civil prendeu um homem investigado por tentar matar a ex-companheira utilizando gasolina.

A prisão ocorreu durante a Operação Mulher Segura. Conforme a Delegacia Especial da Mulher, o crime aconteceu na madrugada de segunda-feira (27), no bairro Cidade Nova.

As investigações apontam que, após uma discussão, o suspeito lançou gasolina sobre a vítima e ateou fogo. A mulher sofreu queimaduras em aproximadamente 30% do corpo e segue internada em estado grave em um hospital de São Luís.

O delegado regional Adriano Mendes informou que a prisão preventiva foi solicitada logo após o registro da ocorrência. A Justiça autorizou a medida e, após uma força-tarefa das equipes policiais e a divulgação do caso, o investigado foi localizado e preso.

Ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Pesquisa aponta alta incidência de violência doméstica

Os dois episódios refletem um cenário preocupante de violência contra a mulher no país. Levantamento realizado pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, com apoio da Uber, revela que cinco em cada dez brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de violência doméstica.

Entre os homens entrevistados, apenas um em cada dez admitiu ter praticado agressões contra a parceira.

O estudo também mostra que a violência ainda é amplamente subnotificada. Inicialmente, 34% das mulheres disseram já ter sofrido violência praticada por um parceiro. No entanto, após conhecerem as diferentes formas de agressão previstas na Lei Maria da Penha, o percentual subiu para 54%.

Outro dado da pesquisa aponta que 80% dos entrevistados consideram que a Lei Maria da Penha ainda não funciona de forma plenamente eficaz, enquanto 82% entendem que a legislação, sozinha, não é suficiente para combater a violência contra a mulher.

Entre as formas de violência mais relatadas estão a psicológica (42%), seguida da moral (29%), da física (25%) e da sexual (10%).

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também
ACESSE NOSSO
CANAL NO ZAP