- Pintinhos machos são mortos logo após nascimento em incubatórios da indústria de ovos, prática conhecida como abate de pintinhos.
- Estimativa indica que 7 bilhões de machos são descartados anualmente, equivalente a 200 animais por segundo.
- Metodologias como maceração e gaseamento são usadas para matar os pintinhos, com variações conforme a instalação.
- Tecnologia de sexagem in ovo permite identificar o sexo do embrião antes da eclosão, reduzindo o abate de machos.
- Países como Alemanha e França proibiram o abate tradicional, enquanto outros adotam restrições e tecnologias alternativas.
Pintinhos machos são separados das fêmeas logo após a eclosão e mortos em incubatórios da indústria de ovos. Uma investigação da organização de proteção animal Mercy For Animals, realizada em um incubatório comercial, registrou o procedimento e expôs uma prática adotada pela indústria há décadas.
Como os machos não produzem ovos e, segundo a organização, não apresentam retorno financeiro para a produção de ovos, eles são descartados após o nascimento. A prática é conhecida como abate de pintinhos. De acordo com estimativa citada pela organização, cerca de 7 bilhões de pintinhos machos são mortos anualmente em incubatórios no mundo, o equivalente a aproximadamente 200 animais por segundo.
Como é feito o abate
A investigação acompanhou o funcionamento de um incubatório comercial para identificar como ocorre o abate. Os métodos utilizados podem variar conforme a instalação e incluem maceração e gaseamento. Na maceração, os animais são colocados vivos em equipamentos com lâminas ou rolos giratórios. Depois de mortos, os restos são descartados.
No gaseamento, os pintinhos são colocados em uma câmara fechada, onde o ar é substituído por um gás, geralmente dióxido de carbono (CO₂) em alta concentração, às vezes combinado com nitrogênio. O objetivo é provocar a perda de consciência por asfixia antes da morte.
Segundo a Mercy For Animals, a maior parte dos animais descartados é formada por machos sem potencial produtivo. Algumas indústrias também promovem a doação desses animais, mas a organização afirma que não há demanda suficiente para o volume de nascimentos.
A investigação também encontrou fêmeas sendo mortas e descartadas por apresentarem deformidades ou características consideradas fora do padrão comercial.
Tecnologia identifica sexo antes da eclosão
Uma alternativa ao abate após o nascimento é a sexagem in ovo, tecnologia que permite identificar o sexo do embrião ainda dentro do ovo. Segundo a organização, o método já é utilizado comercialmente em países como Brasil e Estados Unidos, mas ainda não é disseminado mundialmente.
Uma das tecnologias citadas utiliza ressonância magnética e inteligência artificial para identificar o sexo do embrião. De acordo com o veterinário Andrew Knight, professor especializado em bem-estar animal, o método apresenta precisão superior a 99%, fornece o resultado em menos de um segundo e tem custo médio de um centavo por ovo.
O processo permite descartar embriões machos antes do 13º dia de incubação. Segundo Knight, isso ocorreria antes do desenvolvimento da capacidade de percepção sensorial associada à dor.
Países adotam restrições
Pesquisadores no Canadá desenvolveram uma tecnologia capaz de identificar o sexo do embrião já no quarto dia de incubação, antecipando ainda mais o procedimento. Enquanto a sexagem in ovo já é utilizada comercialmente em alguns mercados, Alemanha e França proibiram por lei o abate tradicional de pintinhos.
Segundo a Mercy For Animals, a adoção de tecnologias de identificação do sexo antes da eclosão poderia evitar o nascimento de machos que seriam posteriormente destinados ao abate.