- Tradição judaica liga início do ano à renovação e à Criação do Mundo.
- O Rosh Ashaná marca o início do ano com meditação e balanço pessoal.
- Este dia é associado ao Dia de Julgamento e à reflexão sobre erros do ano anterior.
- Na Torah, o dia é referido como Dia da Aclamação, ligado à Criação.
- Este ano, o Rosh Ashaná coincide com ataques terroristas de 2001.
O início do Ano Novo na tradição judaica encontra-se profundamente ligado à ideia de renovação. Normalmente, os calendários encontram muitas vezes ciclicidades ligadas ao mundo agrário, aos ritmos da natureza, às ideias de renascimento e de morte, seguindo as estações do ano. No caso judaico tal pode acontecer, mas o sentido profundo teológico encontra-se na própria ideia de Criação do Mundo.
De facto, as tradições rabínicas colocam a abertura do ano nesta data porque é aí que, interpretando os Textos Sagrados, a Torah, se definiu ter sido criado o mundo. Assim, este início de ano é um momento absoluto e único que, não apenas marca e festeja essa data primordial, como liga toda a comunidade ao que de essencial ela representa. No livro de Levítico 23: 24, na referida Torah, fala-se no dia Dia da Aclamação. O sentido é o de ligação ao momento primeiro da Criação e, obviamente, ao próprio Criador.
Assim, este dia é, verdadeiramente, o momento de reflexão e de balanço de todo o ano anterior. No primeiro dia do ano dá-se início a todo um período de meditação em torno das falhas marcadas, muitas vezes, pelas imagens das desobediências e dos erros dos personagens do Génesis bíblico, seja Adão e Eva, ou mesmo Caim, matéria-prima de que todos somos feitos, metáfora da natureza humana.
Passagem de um ano a outro, para algumas tradições, este dia é o Dia de Julgamento, o dia em que o Criador faz o balanço entre os justos e os ímpios. Na espiritualidade de cada um, este primeiro dia do ano abre dez dias de reflexão que terminam no Dia da Expiação, o Yom Kippur.
O Ano Novo judaico, mais que um evento de celebração, com os seus rituais e orações próprias, é um tempo de meditação, de balanço e de avaliação.
Irónico que este ano, o Rosh Ashaná comece exatamente no dia dos ataques terroristas de 2001. Renovação, novo início, balanço. Tudo ideias que cabem muito bem na reflexão que todos devemos fazer hoje.