- Brasil registra aumento de 222% em apreensões de maconha e haxixe dos EUA entre 2024 e 2026.
- Haxixe lidera o crescimento, com aumento de 39,3% em 2026, enquanto maconha caiu drasticamente.
- Paraguai é apontado como rota usada para importação de drogas norte-americanas no Brasil.
- Droga é transportada como encomendas falsas, declaradas como obras de arte, para passar pelos controles.
- Estados Unidos classifica Brasil como centro de distribuição global de cocaína em documento ao Congresso.
O Brasil registrou aumento de 222% nas apreensões de maconha e haxixe provenientes dos Estados Unidos entre 2024 e 2026, segundo dados da Polícia Federal (PF). O volume passou de 236,4 quilos para 761 quilos no período. O crescimento ocorre no momento em que o governo de Donald Trump classificou o Brasil como um “centro de distribuição global de cocaína” em documento enviado ao Congresso americano. Segundo investigadores ouvidos pelo O Globo, uma das rotas usadas para a entrada da droga americana no Brasil passa pelo Paraguai.
Haxixe concentra maior volume
Os dados da PF mostram que o aumento foi puxado principalmente pelo haxixe, derivado da cannabis que possui maior concentração de THC, substância responsável pelos efeitos psicoativos da planta.
Em 2024, foram apreendidos 196 quilos de haxixe e 40,4 quilos de maconha em aeroportos brasileiros. No ano seguinte, os volumes subiram para 534,3 quilos de haxixe e 67,2 quilos de maconha.
Já em 2026, as apreensões de haxixe chegaram a 744,2 quilos, crescimento de 39,3% em relação ao ano anterior. No caso da maconha, houve queda para 16,8 quilos.
Ao O Globo, um delegado da PF afirmou que há forte procura pela droga produzida nos Estados Unidos entre consumidores brasileiros.
“O brasileiro está consumindo fortemente a maconha norte-americana. Assim como a colombiana e a paraguaia, produzidas no Nordeste e no Norte do país.”
Segundo o delegado, o Paraguai é uma das rotas utilizadas para que drogas produzidas nos Estados Unidos cheguem ao mercado brasileiro.
Paraguai aparece como corredor
Em junho, a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) deflagrou a Operação Air Box, que investigou uma organização suspeita de tráfico de maconha com destino ao Brasil.
A investigação identificou o uso de documentos falsificados para esconder a origem das remessas vindas dos Estados Unidos. As cargas eram declaradas como obras de arte para tentar passar pelos controles de segurança e alfândega.
Em uma das apreensões, foram encontrados 147,4 quilos de haxixe em caixas declaradas como esculturas de arte. A carga havia sido enviada da Califórnia, nos Estados Unidos.
Outra ação das autoridades paraguaias interceptou um jato procedente dos Estados Unidos, com 261 quilos de maconha, segundo informações divulgadas sobre as operações da Senad. O material tinha o Brasil como destino.
As investigações apontaram que as cargas eram movimentadas por organizações que utilizavam o território paraguaio como parte da rota até o mercado brasileiro.
Críticas dos Estados Unidos
O aumento das apreensões ocorre na mesma semana em que o governo americano incluiu o Brasil na lista de países considerados “grandes rotas de trânsito ou grandes produtores de drogas ilícitas” para o ano fiscal de 2027. A determinação presidencial foi enviada ao Congresso dos Estados Unidos em 15 de setembro.
No documento, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil não teria enfrentado de forma suficiente organizações criminosas que os Estados Unidos classificaram como organizações terroristas estrangeiras.
O texto cita o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) e afirma que esses grupos representam uma ameaça à segurança internacional. Trump também afirmou que as organizações transformaram o Brasil em um “centro de distribuição global de cocaína”.
O documento ainda cobra medidas consideradas mais rigorosas contra o tráfico internacional de drogas e menciona a necessidade de combater organizações criminosas que atuam na região.
A classificação faz parte de uma determinação anual obrigatória do presidente americano ao Congresso, prevista na legislação dos Estados Unidos. A lista identifica países considerados relevantes para a produção ou trânsito de drogas ilícitas e não representa, por si só, uma nova sanção contra o Brasil.
Rotas internacionais
A atuação de organizações criminosas em rotas internacionais de drogas também aparece em investigações recentes da PF. Na região de Foz do Iguaçu, no Paraná, operações conjuntas identificaram cargas de maconha provenientes do Paraguai, incluindo uma apreensão de 730,8 quilos da droga em agosto.
A PF também registrou outras apreensões na região da Tríplice Fronteira envolvendo maconha e haxixe, reforçando a utilização da área como corredor para o tráfico internacional.
No caso das drogas provenientes dos Estados Unidos, os dados apresentados pela PF indicam que o fluxo de haxixe e maconha identificados em aeroportos brasileiros aumentou significativamente desde 2024, enquanto as investigações apontam o Paraguai como uma das possíveis rotas utilizadas para alcançar o mercado brasileiro.