- Jornalista brasileiro é deportado da Argentina e proibido de entrar por cinco anos após não cumprir condições de residência.
- Decisão foi tomada após seu desembarque no Aeroporto Aeroparque, com revogação da autorização de residência permanente.
- Tomaz Jr. contesta a medida como perseguição política e afirma não ter recebido notificação prévia sobre o cancelamento.
- Governo argentino usa decreto de julho para restringir entrada de críticos, com críticas de setores da oposição sobre abuso de poder.
- Jornalista espera voltar à Argentina e ironiza a decisão, considerando-a motivo de orgulho.
O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por suas críticas ao governo do presidente argentino Javier Milei, foi deportado da Argentina na segunda-feira (12) e proibido de entrar no país pelos próximos cinco anos. A medida foi aplicada após o desembarque do repórter no Aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires, e incluiu a revogação de sua autorização de residência permanente.
Segundo a Direção Nacional de Migrações (DNM) da Argentina, o cancelamento do documento ocorreu porque o jornalista não teria cumprido as condições exigidas para manter a residência no país. Tomaz Jr. possuía autorização permanente desde 2022, com validade prevista até 2037.
O brasileiro, no entanto, contesta a justificativa apresentada pelas autoridades argentinas e considera a decisão uma forma de perseguição política. Em entrevista ao portal Metrópoles, ele afirmou que esteve na Argentina em diferentes períodos desde 2022. A visita mais recente ocorreu em julho deste ano, quando permaneceu no país por quase um mês.
Além da revogação da residência, o governo argentino recorreu a um decreto publicado em julho para impedir a entrada do jornalista no território nacional. A medida estabelece restrições migratórias a estrangeiros em determinadas situações relacionadas a manifestações consideradas de ódio, discriminação ou violência contra argentinos e símbolos nacionais.
A decisão tem sido alvo de críticas de setores da oposição, que apontam o risco de utilização das regras migratórias para restringir manifestações contrárias ao governo Milei.
“Fui deportado e proibido de entrar lá [na Argentina] por cinco anos. Isso já é uma medida com base em um decreto que Milei publicou em julho contra críticos estrangeiros do governo dele”, declarou Rogério Tomaz Jr.
O jornalista também afirmou que não recebeu qualquer comunicação prévia sobre o cancelamento de sua residência, que teria sido oficializado pelas autoridades argentinas em 5 de agosto. Segundo o relato, a decisão ocorreu em um período no qual ele participou de discussões nas redes sociais após publicar críticas ao governo argentino. O brasileiro também mencionou a realização de buscas em seu endereço no país.
Morador de Brasília, Tomaz Jr. trabalha em um livro sobre o governo de Javier Milei, com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2027. Nos últimos anos, sua atuação jornalística tem se concentrado nos impactos econômicos e sociais das medidas adotadas pelo presidente argentino, que assumiu o poder em dezembro de 2023.
Apesar da deportação e da proibição de entrada, o brasileiro afirmou que espera voltar à Argentina. Ele também ironizou a decisão do governo e disse considerar o episódio motivo de orgulho.
“Vou colocar o documento de deportação em um quadro, e emoldurar como se fosse um diploma de honra, porque ter sido deportado pelo governo Milei é uma honra”, afirmou.
O caso amplia o debate sobre a aplicação das regras migratórias argentinas e os limites entre a atuação das autoridades e a liberdade de expressão de estrangeiros que criticam o governo.