- O BNDES rejeitou R$ 13,8 milhões em pedidos de financiamentos por desmatamento ilegal no Piauí.
- 14 alertas ativos de indícios de desmatamento ilegal foram identificados no Piauí entre fevereiro de 2023 e abril de 2026.
- O volume de crédito rejeitado em todo o país foi de R$ 1,1 bilhão desde fevereiro de 2023.
- Os produtores rurais com indícios de desmatamento ilegal não podem receber financiamentos do BNDES.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) rejeitou R$ 13,8 milhões em pedidos de financiamentos feitos por produtores rurais que tinham propriedades com indícios de desmatamento ilegal no Piauí, nos últimos três anos. Este valor equivale a 1,7% do volume de solicitações de crédito feitas entre fevereiro de 2023 e abril de 2026.
É o que revela o balanço divulgado nesta quarta-feira (3), durante a Semana do Meio Ambiente. No Piauí, foram identificados 14 alertas ativos de indícios de desmatamento ilegal, o equivalente a 2,7% do número de solicitações de crédito feitas no período.
O BNDES monitora em parceria com o MapBiomas as propriedades rurais com o objetivo de evitar a concessão de financiamentos a quem pratica o desmatamento ilegal. Em regra, é vedado o financiamento em propriedades rurais com indícios de desmatamento ilegal.
Em todo o país, o volume de crédito rejeitado foi de R$ 1,1 bilhão. Os 5.592 alertas ativos de indícios de desmatamento ilegal registrados desde fevereiro de 2023 equivalem a cerca de 1% das 551,7 mil solicitações de crédito rural encaminhadas ao BNDES neste período. São consideradas de crédito rural as operações dos programas agropecuários do Governo Federal, com juros equalizados; da linha BNDES Crédito Rural e aquelas que tenham marcação de crédito agrícola pelo Banco Central (BC).
Desde 2023, o volume de financiamentos evitados soma quase R$ 1 milhão por dia de solicitações de crédito não contratado a produtores com indícios de desmatamento irregular.
“O BNDES é um grande parceiro do agronegócio e valoriza a produção sustentável e ética no campo brasileiro, mas não é complacente com o agronegócio que destrói o meio ambiente. O Banco apoia os produtores que são sustentáveis e inovadores. A tecnologia e uma governança rígida nos permitem atuar com agilidade e precisão na análise do crédito e atender a urgente agenda de enfrentamento das mudanças climáticas. O tempo do crédito para o agro que desmata já passou", afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Além disso, o BNDES tem por norma não contratar operações de crédito rural cujo beneficiário final tenha embargos vigentes listados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em qualquer propriedade, mesmo que não seja a beneficiada pelo financiamento, sem adoção de medidas efetivas de regularização. A exigência do Banco é mais rígida que a do Manual de Crédito Rural (MCR), do Banco Central, que veda a concessão de crédito rural para produtores rurais com embargos localizados somente na propriedade beneficiada.
Os empréstimos do BNDES a produtores rurais podem ser obtidos por meio de uma rede parceira credenciada de mais de 80 instituições financeiras, que atendem mais de 90% do território nacional.