- Brasil testa pela primeira vez vacina de mRNA contra Covid-19 em humanos.
- Vacina desenvolvida pela Fiocruz recebe autorização da Anvisa para estudos clínicos.
- Tecnologia mRNA permite produção de proteínas por células, substituindo vacinas tradicionais.
- Investimento de R$ 210 milhões visa expandir pesquisas com RNA mensageiro no Brasil.
- Estudos em andamento incluem tratamentos contra câncer e terapia CAR-T baseada em mRNA.
O Brasil vai testar em humanos, pela primeira vez, uma vacina desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). O imunizante contra a Covid-19, desenvolvido pela Fiocruz, recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para avançar para a etapa de estudo clínico.
A autorização permite que a vacina seja testada em humanos para avaliar segurança e eficácia. Segundo pesquisadores, o avanço representa um marco para o desenvolvimento da tecnologia de mRNA no país e pode contribuir para novas aplicações na área da saúde.
Como funciona a tecnologia de mRNA
O RNA mensageiro funciona como uma plataforma. Em vez de inserir no organismo uma proteína pronta ou um vírus enfraquecido, como ocorre em algumas vacinas tradicionais, a tecnologia fornece às células uma instrução genética para que elas produzam determinada proteína.
A possibilidade de alterar a mensagem entregue às células permite adaptar a mesma plataforma para o desenvolvimento de imunizantes e tratamentos contra diferentes doenças.
Primeira pesquisa brasileira com mRNA em humanos
A chegada da vacina à fase de estudo clínico representa a primeira vez que pesquisadores brasileiros levam um tratamento desenvolvido com tecnologia de mRNA do laboratório até a etapa de testes em humanos.
Especialistas avaliam que o avanço pode abrir caminho para novas pesquisas e tratamentos, inclusive para doenças como o câncer. Laboratórios brasileiros já desenvolvem pesquisas nacionais utilizando a tecnologia de RNA mensageiro, em diferentes estágios de desenvolvimento.
Uma das pesquisas envolve um tratamento que já foi testado em animais. A estratégia fez células tumorais produzirem uma proteína capaz de induzir a própria morte do tumor, reduzindo seu volume em até 85%. Outra linha de pesquisa envolve uma versão da terapia CAR-T baseada em mRNA, ainda em fase de projeto. A proposta busca dispensar a retirada e a modificação das células do paciente fora do organismo.
Investimento de R$ 210 milhões
O Ministério da Saúde anunciou R$ 210 milhões em investimentos na plataforma de RNA mensageiro para desenvolver, nos próximos anos, pesquisas envolvendo a tecnologia. Os recursos serão destinados a projetos realizados em laboratórios da Fiocruz, do Instituto Butantan e do Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas), em Minas Gerais.
Segundo Fernanda Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, o investimento pode ampliar a capacidade do Brasil de competir internacionalmente e participar do desenvolvimento de descobertas que poderão influenciar o futuro dos tratamentos.