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CNJ mantém afastamento de juiz flagrado bebendo vinho em sessão on-line

Milton Lívio Lemos Salles, do TJMG, foi filmado fumando e ingerindo bebida durante julgamento virtual

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  • Consulado Nacional de Justiça manteve afastamento cautelar do juiz Milton Lívio Lemos Salles após filmagem durante sessão virtual.
  • Relator do caso destacou que conduta do juiz é incompatível com exercício da magistratura e justificou medida cautelar.
  • Episódio ocorreu em sessão virtual do TJMG em 10 de agosto, interrompendo análise de três processos.
  • Salles continua recebendo remuneração enquanto o procedimento disciplinar estiver em andamento, conforme regras vigentes.
  • Juiz publicou vídeo nas redes sociais afirmando ser vítima de difamação e criticou membros do Judiciário.
Juiz aparece bebendo vinho diretamente da garrafa durante audiência realizada por videoconferência | Foto: Reprodução
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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) manteve, por unanimidade, nesta terça-feira (18), o afastamento cautelar do juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após ele ser filmado fumando e ingerindo uma bebida que aparentava ser vinho durante uma sessão virtual de julgamento. A medida havia sido determinada inicialmente de forma liminar e agora foi ratificada pelo plenário do conselho.

Decisão

O afastamento foi analisado durante o julgamento de uma reclamação disciplinar apresentada contra o magistrado. O relator do caso, conselheiro Mauro Campbell Marques, afirmou que a conduta atribuída ao juiz é “absolutamente incompatível” com o exercício da magistratura.

Segundo o relator, os elementos reunidos durante a apuração justificaram a adoção da medida cautelar. O CNJ acompanhou o voto e decidiu manter Salles afastado das funções jurisdicionais enquanto o caso continua sendo investigado.

VEJA O VÍDEO: 

Sessão interrompida

O episódio ocorreu durante uma sessão virtual do TJMG realizada em 10 de agosto. Nas imagens, o magistrado aparece fumando e ingerindo diretamente de uma garrafa que aparentava conter vinho.

A sessão precisou ser interrompida antes da análise de três processos. Os casos que não foram julgados foram posteriormente remarcados para a pauta seguinte do núcleo.

Após a repercussão das imagens, a Corregedoria-Geral de Justiça de Minas Gerais determinou o afastamento cautelar e abriu uma sindicância para apurar a conduta. Os processos que estavam sob responsabilidade de Salles foram redistribuídos, e outro magistrado foi convocado para atuar nos casos.

Remuneração

Mesmo afastado das funções, Milton Lívio Lemos Salles continuará recebendo remuneração enquanto o procedimento disciplinar estiver em andamento, conforme as regras aplicáveis aos magistrados.

Dados do Portal da Transparência do TJMG indicam que o juiz recebeu R$ 105.073,16 em rendimentos brutos em julho. Após os descontos de Previdência e Imposto de Renda, o valor líquido foi de R$ 83.583,55.

A remuneração bruta registrada superou o teto constitucional de R$ 46.366,19. Segundo as informações do tribunal, parte dos valores incluídos na folha corresponde a verbas que não são submetidas ao limite constitucional.

Novo vídeo

Após a divulgação das imagens da sessão, o magistrado publicou outro vídeo nas redes sociais. No material, afirmou ser vítima de “difamação” e fez críticas a integrantes do Judiciário.

Salles também fez acusações contra membros de tribunais e citou nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O afastamento cautelar não representa uma condenação disciplinar. A investigação ainda deverá analisar as circunstâncias do episódio e eventual responsabilidade funcional do magistrado.

Com a decisão do CNJ nesta terça-feira (18), permanece válida a determinação para que Salles fique afastado das funções jurisdicionais enquanto o procedimento segue em apuração.

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