O uso de medicamentos para emagrecimento à base de hormônios que controlam o apetite tem crescido de forma acelerada no Brasil. Remédios como o Mounjaro ganharam popularidade entre pacientes que buscam perder peso de forma rápida e eficaz.
Apesar dos resultados expressivos na perda de peso, muitos pacientes já iniciam o tratamento pensando em um momento delicado: como parar o medicamento sem recuperar os quilos perdidos. Esse processo, conhecido como “desmame”, exige planejamento médico e mudanças no estilo de vida.
Segundo o endocrinologista André Gonçalves, essa preocupação é comum entre os pacientes. “Muitas pessoas começam a tomar o Mounjaro já pensando em quando vão parar, seja porque não querem usar remédio por muito tempo, por causa de possíveis efeitos colaterais ou até pelo preço do tratamento”, explica.
O receio é o chamado efeito rebote, quando o peso perdido volta após a interrupção da medicação. Isso acontece porque o organismo reage à perda de peso como um mecanismo de defesa.
“O corpo entende o emagrecimento como uma ameaça e tenta recuperar essa energia perdida. Ele reduz o gasto calórico e aumenta a fome, especialmente por alimentos mais calóricos e palatáveis”, afirma o especialista.
Para reduzir esse risco, o endocrinologista explica que a interrupção do medicamento não deve ocorrer de forma abrupta. Uma das estratégias é diminuir gradualmente a dose do remédio, permitindo que o organismo se adapte à mudança.
Outra alternativa é aumentar o intervalo entre as aplicações. Em vez de usar o medicamento semanalmente, o paciente pode passar a utilizá-lo a cada dez ou doze dias, sempre sob orientação médica.
“Também existe a possibilidade de substituir gradualmente o medicamento por opções mais acessíveis, caso ainda haja necessidade de tratamento para manter o peso. Entre as alternativas estão medicamentos da mesma classe, como Rybelsus e Liraglutida” ressalta o médico.