O Brasil é hoje um dos países que mais realizam implantes dentários no mundo. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos e do Conselho Federal de Odontologia, milhões de implantes são feitos anualmente no país, refletindo tanto o avanço da tecnologia quanto a maior busca por reabilitação oral e qualidade de vida. Apesar disso, dúvidas e receios ainda cercam o procedimento.
Para esclarecer os principais mitos e verdades, o implantodontista Antônio Francisco Torres respondeu a perguntas frequentes de pacientes — e garante: a realidade é bem mais tranquila do que muitos imaginam.
Uma das dúvidas mais comuns é sobre a dor durante o procedimento. Segundo o especialista, o medo ainda é desproporcional à experiência real. “Muitos acham que por ser um procedimento dentário, o implante dói pra fazer. Mas hoje em dia, com as novas tecnologias, tornou-se algo muito simples, rápido e sem dor”, afirma.
Outra questão recorrente diz respeito à durabilidade. O implante, que consiste em um pino de titânio inserido no osso para substituir a raiz do dente, é projetado para ser permanente. “É colocado com o intuito de durar para sempre”, explica Torres. Ele ressalta, no entanto, que a coroa de porcelana fixada sobre o implante pode precisar de substituição ao longo dos anos, devido ao desgaste natural.
Há também dúvidas sobre quem pode se submeter ao procedimento. De acordo com o implantodontista, a maioria das pessoas está apta. “Qualquer pessoa pode fazer desde que já tenha atingido o crescimento ósseo. Crianças e adolescentes não podem fazer, mas adultos e idosos podem, mesmo com comorbidades que impediriam cirurgias mais complexas”, diz. Isso porque, segundo ele, trata-se de um procedimento relativamente simples.
O receio de rejeição do implante também é comum, mas, na prática, não ocorre da forma como muitos imaginam. Torres esclarece que o material utilizado é altamente seguro. “O titânio é um material biocompatível, que não tem essa característica de rejeição”, afirma. Ele explica que, em alguns casos, pode haver falha na fixação devido a fatores como doenças sistêmicas ou movimentação inadequada no pós-operatório, o que pode ser confundido com rejeição. “Essa movimentação pode impedir a osseointegração e dar essa impressão”, completa.
A estética final também preocupa muitos pacientes. A possibilidade de o dente artificial não se parecer com os naturais ainda gera insegurança. Segundo Torres, o resultado depende muito do momento em que o implante é realizado. “Quando você perde o dente e já coloca o implante, é o momento mais favorável para que a estética fique o mais parecida possível com o dente natural”, explica. Em casos de perda óssea ou gengival mais antiga, pode ser necessário recorrer a soluções alternativas. “Às vezes é preciso fazer uma prótese dente-gengival. Pode não ficar idêntico, mas na maioria das vezes conseguimos resultados muito satisfatórios”, diz.
Com o avanço das técnicas e materiais, os implantes dentários têm se consolidado como uma solução eficaz, segura e cada vez mais acessível. E, como reforça o especialista, a informação correta ainda é o melhor caminho para vencer o medo e tomar decisões conscientes sobre a própria saúde bucal.