Um tema que durante muito tempo ficou meio escondido nas conversas de bastidores do empresariado voltou com força ao centro do debate na Espanha, o aumento das faltas ao trabalho. Representantes do setor hoteleiro e do meio empresarial se reuniram em Madri para discutir os desafios da competitividade e apontaram o absentismo laboral como um dos problemas mais sensíveis da atualidade.
O encontro, realizado em um tradicional ciclo de debates voltado à indústria do turismo e dos serviços, reuniu empresários e dirigentes de entidades econômicas para tratar do papel das empresas no crescimento e na geração de emprego. Entre os pontos levantados, um chamou atenção pela urgência, o número crescente de trabalhadores que se ausentam dos seus postos tem provocado perdas relevantes de produtividade e organização dentro das empresas.
Durante a discussão, foram apresentados dados que dimensionam o fenômeno. Estima-se que, diariamente, cerca de 1,2 milhão de pessoas deixem de comparecer ao trabalho na Espanha. O impacto financeiro anual é expressivo e, segundo os empresários, afeta diretamente o funcionamento das companhias, especialmente em setores como hotelaria e turismo, que dependem de equipes completas para manter o padrão de atendimento.
Lideranças empresariais destacaram que o absentismo deixou de ser um problema pontual e passou a ter reflexos estruturais na economia. As ausências frequentes, sobretudo quando não justificadas, geram sobrecarga para os demais trabalhadores, dificultam a gestão das equipes e reduzem a eficiência operacional. Em serviços que funcionam em ritmo contínuo, como hotéis, restaurantes e transportes, qualquer desfalque inesperado pode comprometer a rotina e a experiência do cliente.
O presidente do Grupo Hotusa, Amancio López, classificou o tema como uma questão que precisa ser debatida com mais franqueza. Para ele, as faltas recorrentes representam uma perda significativa de produtividade e não podem continuar sendo tratadas como assunto secundário. A avaliação foi compartilhada por outros representantes empresariais presentes, que defenderam a necessidade de enfrentar o problema de forma aberta e com base em dados.
Outro ponto forte do debate foi o ambiente regulatório. Empresários apontaram que o excesso de normas e a carga burocrática ainda são entraves para o desenvolvimento das empresas. Em alguns casos, afirmaram, os custos administrativos e regulatórios acabam pesando tanto quanto barreiras comerciais. A reivindicação central é por mais segurança jurídica, estabilidade institucional e condições que favoreçam o investimento e o crescimento empresarial.
Apesar das críticas, o setor turístico espanhol foi descrito como robusto e competitivo. A avaliação é que o país construiu, ao longo das últimas décadas, uma estrutura empresarial sólida no turismo, capaz de atrair visitantes e gerar empregos em larga escala. No entanto, os desafios ligados à produtividade, à formação de profissionais e à retenção de talentos seguem no radar dos empresários.
Ao final do encontro, ficou a percepção de que o absentismo laboral se consolidou como um dos temas mais sensíveis para a economia espanhola no momento. A discussão, antes restrita a departamentos internos de recursos humanos, agora ganha espaço em fóruns públicos e empresariais, refletindo a preocupação com os impactos no desempenho das empresas e na competitividade do país.