- A Mercedes-Benz Fashion Week Madrid realizou sua 84ª edição em setembro, com desfiles em espaços emblemáticos de Madri, como o Palácio de Cibeles e o Invernário do Palácio de Cristal.
- A edição incluiu a participação da Universidad Nebrija, que se tornou sede principal da programação, integrando a moda à educação e à cultura.
- A marca colombiana Agua by Agua Bendita destacou-se como protagonista, reforçando a internacionalização da moda e a conexão entre Europa e América Latina.
- A mudança de localização da Fashion Week representa uma nova etapa para a moda espanhola, integrando a cidade à narrativa do evento.
- O evento contou com a presença de nomes consagrados e novos talentos, além de parcerias como a El Corte Inglés, que reforçaram a projeção da moda espanhola.
Em sua 84ª edição, a principal passarela da moda espanhola inaugurou uma nova etapa: deixou os tradicionais pavilhões da IFEMA para ocupar alguns dos espaços mais emblemáticos de Madri, aproximando moda, arquitetura, cultura e cidade.
Depois de uma primeira semana dedicada à moda autoral espanhola com o OMODA Madrid es Moda, setembro avançou em Madri com um dos acontecimentos mais importantes do calendário fashion do país: a Mercedes-Benz Fashion Week Madrid.
Realizada entre os dias 14 e 19 de setembro, a 84ª edição apresentou as coleções Spring/Summer 2027 e chegou com uma transformação que foi muito além das roupas apresentadas nas passarelas.
A própria cidade passou a fazer parte do espetáculo.
Durante décadas, a Mercedes-Benz Fashion Week Madrid esteve diretamente associada aos pavilhões da IFEMA, o grande centro de feiras e congressos da capital espanhola. Em 2026, porém, o evento adotou um formato descentralizado, seguindo uma dinâmica já presente em grandes semanas de moda internacionais: levar os desfiles para dentro da cidade e fazer de sua arquitetura parte da experiência.
Palácios, jardins, hotéis, espaços culturais e uma universidade passaram a compor a geografia dessa nova Fashion Week madrilenha. (El País)
Madri como cenário
A semana começou no Invernadero do Palacio de Cristal de Arganzuela, uma construção de ferro e vidro cercada por vegetação, onde Pedro del Hierro abriu oficialmente o calendário, seguido por Simorra e pelo retorno de Adolfo Domínguez.
No dia seguinte, a moda chegou a um dos cartões-postais mais reconhecíveis da capital: a Galería de Cristal do Palacio de Cibeles.
E a escolha dos espaços não funcionou apenas como pano de fundo.
A arquitetura passou a dialogar com as coleções, com a fotografia e com a identidade de cada apresentação. Madri deixou de ser simplesmente a cidade onde acontecia a Fashion Week para se transformar em parte da própria narrativa visual do evento. (IFEMA MADRID)
Uma universidade no centro da Fashion Week
Outra das grandes novidades foi a escolha da Universidad Nebrija como sede principal da programação.
Entre os dias 16 e 19, o Campus de Comunicação e Artes de Madrid–San Francisco de Sales recebeu alguns dos principais desfiles, além do Cibelespacio e de atividades relacionadas ao evento.
Por seus espaços passaram profissionais da moda, jornalistas, fotógrafos, equipes de produção, designers e estudantes, aproximando a indústria justamente de uma nova geração que começa a construir seu caminho profissional.
O próprio curso de Design de Moda da Nebrija ganhou espaço no calendário oficial, com desfile marcado para o encerramento da programação. (Universidad Nebrija)
A escolha representou bem a filosofia desta edição: tirar a moda de um espaço isolado e colocá-la em contato com a cidade, a formação, a cultura e novos públicos.
A América Latina entra em cena
Se a transformação dos espaços foi uma das grandes novidades, a internacionalização também ganhou destaque.
A marca colombiana Agua by Agua Bendita foi uma das protagonistas desta edição, apresentada no calendário oficial em colaboração com o Latin American Fashion Awards.
Reconhecida internacionalmente por uma estética que combina resortwear, cor, natureza e trabalho artesanal, a grife colombiana abriu a programação do dia 15 no Palacio de Cibeles e recebeu o reconhecimento de Designer Internacional desta edição.
Sua presença trouxe também uma leitura interessante sobre o lugar que Madri procura ocupar: não apenas como vitrine da moda espanhola, mas como ponte entre a criação europeia e a crescente projeção internacional da moda latino-americana. (IFEMA MADRID)
Ao longo dos seis dias, o calendário reuniu nomes consagrados e novas gerações. Pedro del Hierro, Adolfo Domínguez, Ágatha Ruiz de la Prada, Hannibal Laguna, Custo Barcelona, Moisés Nieto, Ernesto Naranjo, Álvaro Calafat, Redondo Brand e Palomo estiveram entre as marcas e criadores que fizeram parte de uma edição marcada também por regressos, estreias e aniversários. (Vogue España)
Moda, convidados e uma cidade em movimento
Mas uma Fashion Week contemporânea já não acontece somente sobre a passarela.
Ao redor dos desfiles existe todo um universo formado por apresentações, encontros, front rows, ativações de marcas, jantares, festas e eventos paralelos que reúnem designers, modelos, imprensa, compradores, criadores de conteúdo e personalidades nacionais e internacionais.
Nesta edição, essa dimensão social ganhou ainda mais força justamente porque a programação estava espalhada por Madri.
A presença de marcas parceiras também ajudou a ampliar essa experiência. El Corte Inglés, por exemplo, tornou-se patrocinador oficial da MBFWMadrid em 2026, numa aliança destinada a reforçar a projeção da moda espanhola e desenvolver novas experiências em torno da passarela. (El Corte Inglés)
Mais do que assistir a coleções, durante aqueles dias era possível perceber a moda ocupando diferentes camadas da cidade.
Uma nova etapa para a moda espanhola
A 84ª Mercedes-Benz Fashion Week Madrid ficará especialmente marcada por essa mudança.
A IFEMA continua como organizadora da passarela, com o apoio do Ayuntamiento de Madrid, mas o evento deixou fisicamente seus tradicionais pavilhões para experimentar uma relação muito mais direta com a capital. (IFEMA MADRID)
É um movimento que aproxima Madri do modelo de outras grandes capitais internacionais, onde cada desfile pode revelar também um edifício, um bairro, um jardim ou uma perspectiva diferente da cidade.
E talvez esteja aí uma das imagens mais fortes deixadas por esta edição.
A moda espanhola não mudou apenas de endereço. Mudou a maneira de se relacionar com Madri.
Durante seis dias, coleções, arquitetura, convidados e criatividade construíram uma mesma narrativa e a capital espanhola deixou de ser apenas anfitriã para se tornar, ela própria, parte da passarela.