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Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group

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Pisa 2025: um alerta que chega à educação superior

Pisa 2025 mostra baixo desempenho do Brasil em Matemática, Leitura e Ciências e reforça o impacto das lacunas de aprendizagem na trajetória dos estudantes

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  • Brasil obteve 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências no Pisa 2025, abaixo da média da OCDE.
  • 28% dos brasileiros atingiram nível básico em Matemática, contra 65% da média da OCDE, revelando deficiências crônicas.
  • Desempenho do Brasil permaneceu estável desde 2015, com poucas melhorias em comparação a 2022.
  • Deficiências educacionais persistem no ensino médio, limitando acesso à graduação e oportunidades futuras.
  • Desigualdades educacionais se agravam, com diferença de 96 pontos em Ciências entre estudantes favorecidos e desfavorecidos.
Janguiê Diniz | Reprodução
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Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), voltaram a expor as graves dificuldades de aprendizagem enfrentadas pelos estudantes brasileiros. Mais do que alimentar comparações entre países ou reforçar diagnósticos sobre a educação básica, os dados também precisam ser avaliados por outra perspectiva: as lacunas identificadas aos 15 anos não desaparecem com a conclusão da escola. Pelo contrário, elas acompanham os indivíduos por toda a vida, limitando suas escolhas e oportunidades.

O Brasil obteve 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências, ficando abaixo das médias da OCDE nas três áreas. Há, contudo, um aspecto positivo: na comparação com 2006, o país aparece entre os dez que mais avançaram. Quando observamos o período mais recente, porém, o quadro inspira preocupação. O desempenho permaneceu praticamente estável desde 2015 e pouco mudou em relação a 2022.

Os níveis de proficiência dão uma dimensão melhor do problema. Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram o patamar básico em Matemática, enquanto a média da OCDE foi de 65%. Em Ciências, 48% dos estudantes brasileiros alcançaram esse nível, ante 74% na média da OCDE; em Leitura, os percentuais foram de 49% e 69%, respectivamente. Isso significa que parcelas expressivas dos nossos estudantes chegam ao fim do ensino fundamental sem dominar conhecimentos e habilidades essenciais para interpretar textos, compreender fenômenos científicos e aplicar conceitos matemáticos a situações cotidianas.

Seria um equívoco imaginar que deficiências tão profundas podem ser plenamente corrigidas nos anos seguintes. Tanto que, embora tenha registrado avanços em todas as etapas, o Ideb 2025 mostrou que a evolução perde força à medida em que o estudante progride. Enquanto o índice alcançou 6,3 nos anos iniciais e 5,3 nos anos finais do ensino fundamental, ficou em 4,5 no ensino médio.

As consequências desse desempenho ultrapassam as notas de uma avaliação. Quando ler um conteúdo um pouco mais complexo, organizar um raciocínio ou compreender conceitos elementares se transforma em obstáculo, a escola tende a se tornar uma experiência marcada pela frustração, afastando o jovem dos estudos. Afinal, dificuldades não superadas no momento adequado comprometem o vínculo com a aprendizagem e ajudam a explicar problemas como o elevado índice de abandono no ensino médio.

Para os que conseguem concluir essa etapa, surge uma barreira menos visível e ainda pouco considerada pelas políticas públicas. Muitos jovens não se percebem capazes de ingressar em uma graduação. Antes mesmo da limitação financeira, existe a exclusão por falta de confiança. Assim, o país perde talentos porque uma trajetória escolar precária restringe seus horizontes e diminui suas expectativas.

Entre aqueles que superam essas barreiras e chegam a uma faculdade, as lacunas continuam presentes. Dificuldades de leitura, interpretação, escrita, raciocínio lógico e organização dos estudos comprometem o acompanhamento das aulas e contribuem para a desistência. Para atenuar esse quadro, diversas instituições privadas oferecem programas de nivelamento, tutoria, acolhimento e apoio pedagógico. São iniciativas extremamente relevantes, mas não é razoável esperar que a educação superior repare, em poucos meses, deficiências formadas durante mais de uma década de escolarização.

Em outra frente, o Pisa também revela como aprendizagem e desigualdade se retroalimentam. No Brasil, os 25% dos estudantes mais favorecidos economicamente superaram os 25% menos favorecidos em 96 pontos em Ciências. Portanto, não estamos apenas diante de um problema de qualidade educacional, mas de um mecanismo que reproduz desigualdades desde a escola e condiciona quem terá mais oportunidades ao longo da vida, incluindo o acesso à educação superior.

Essa reflexão é ainda mais urgente quando confrontada com outro dado da própria OCDE. Segundo o Education at a Glance 2025, os brasileiros com formação superior ganham, em média, 148% a mais do que aqueles que concluíram apenas o ensino médio. Em uma sociedade profundamente desigual, o diploma representa muito mais que uma credencial acadêmica: amplia as possibilidades de trabalho, renda e ascensão social.

Os resultados do Pisa 2025, portanto, não podem ser tratados como uma fotografia isolada de estudantes de 15 anos. Eles antecipam desafios que se manifestarão no ensino médio, no acesso à graduação, na permanência universitária, no mercado de trabalho e no desenvolvimento do país. Enfrentar esse cenário exige políticas articuladas, capazes de garantir aprendizagem efetiva desde os primeiros anos.

Melhorar a escola é indispensável. Mas também precisamos assegurar que cada jovem se reconheça capaz de continuar estudando e encontre condições para concluir uma graduação. Somente assim a educação cumprirá plenamente seu papel como principal instrumento de superação das desigualdades e de construção de um Brasil mais justo e desenvolvido para todos os seus cidadãos.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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