- Ana Cléia Diniz torna-se primeira mulher coronel do Corpo de Bombeiros do Piauí, após 32 anos de serviço público.
- Coronel relembra premiação do Troféu Tudo Pelo Piauí em 2013, que está guardado junto com outras condecorações.
- Na época do troféu, a corporação combateu queimadas causadas por incêndios em enxames de abelhas, com apoio da UFPI.
- Decisão de ingressar no Corpo de Bombeiros foi influenciada pelo pai, que a orientou a prestar concurso.
- Atualmente, Ana Cléia administra equipamentos do Piauí e pretende voltar integralmente ao Corpo de Bombeiros.
A promoção de Ana Cléia Diniz ao posto de primeira mulher coronel da história do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí também trouxe à memória uma homenagem marcante em sua trajetória. Em entrevista ao programa Notícias do Dia, concedida à jornalista Cinthia Lages, a militar relembrou o Troféu Tudo Pelo Piauí, honraria recebida em 2013 durante premiação promovida pela Meio Norte, quando comandava o quartel de Picos. Segundo ela, o reconhecimento permanece guardado entre suas principais conquistas profissionais. Ao recordar a premiação, Ana Cléia contou que o troféu segue preservado ao lado de outras condecorações conquistadas ao longo da carreira. "O Troféu Tudo Pelo Piauí, de 2013, está junto com minhas medalhas e outros troféus. Todos estão guardados lá. Eu lembrei, foi um momento maravilhoso. Era uma época de prevenção. Estávamos fazendo prevenção com relação aos fogos nos matos e a região melhorou muito", disse. Naquele período, uma das ações desenvolvidas pela corporação era o combate às queimadas provocadas pela destruição de enxames de abelhas. "As pessoas tinham o costume de incendiar os enxames. As abelhas estavam lá e as pessoas viam e ateavam fogo. Isso era muito ruim porque esse fogo se alastrava. Em Picos há um dos trabalhos de preservação das abelhas mais importantes do Brasil, que é com a professora Juliana Bendini, da Universidade Federal do Piauí." A experiência levou os bombeiros a realizarem capacitações específicas para esse tipo de ocorrência. "Nós fizemos curso, inclusive, para lidar com as abelhas. Eu sou muito feliz por ter esse certificado, porque eu amo as abelhas. Ainda hoje me procuram para falar sobre abelhas, direto." Com 32 anos de serviço público, sendo oito deles na Polícia Militar antes de ingressar no Corpo de Bombeiros, Ana Cléia afirmou que logo percebeu onde queria construir sua carreira. "Tenho 32 anos de serviço, sendo 8 anos na PM. Eu não me identifiquei com a PM. Eu via sempre as bombeiras chegando ao quartel da Polícia e pensava: 'Nossa, eu quero ser bombeira', porque eu achava lindo, achava lindo o uniforme. Isso de ser polícia não dá para mim, eu quero salvar vidas." Ela também revelou que a decisão de prestar concurso foi influenciada pelo pai, sargento da Polícia Militar. "Minha influência foi meu pai. Engraçado que eu estava estudando para o vestibular. Eu queria ser nutricionista e o papai disse: 'Minha filha, esqueça isso. Você é filha de pobre, você é filha de um sargento. Então vamos trabalhar, arrumar dinheiro e depois você volta a estudar novamente, depois que passar em um concurso.' E eu fiz esse concurso influenciada por ele." Segundo a coronel, a orientação acabou mudando sua vida. "Na época eu fiquei chateada, mas depois eu entendi. E a melhor coisa que eu fiz na minha vida foi ter ouvido o meu pai, porque eu me identifiquei com tudo aquilo." A promoção representa um marco para a corporação. A presença feminina no Corpo de Bombeiros do Piauí só passou a ser permitida no fim da década de 1990 e, pouco mais de duas décadas depois, a instituição registra sua primeira coronel. Atualmente cedida à Secretaria de Segurança Pública, Ana Cléia informou que pretende retornar integralmente ao Corpo de Bombeiros. "Eu faço a gestão de todos os equipamentos que chegam aqui no Piauí. No momento, vou me afastar da Secretaria de Segurança e irei me dedicar totalmente ao Corpo de Bombeiros." Ela também comemorou o crescimento da participação feminina na corporação. "Para minha felicidade, temos 177 mulheres. Nós éramos 47. É o momento em que há mais mulheres." Para a coronel, esse avanço fortalece a instituição. "A gente tem que aplaudir, porque é um trabalho muito incrível do Governo do Estado. Na corporação, a gente precisava disso, precisava dessa força feminina."Da vocação ao posto mais alto da corporação