- A produção de carne de vaca velha ganha destaque no Brasil, impulsionada pela demanda da alta gastronomia.
- Produtos como alcatra são destacados em cardápios de restaurantes de alto padrão, impulsionando a procura.
- A carne de vaca velha pode custar entre 30% e 40% mais do que cortes tradicionais de Angus.
- O modelo alia manejo específico e valorização de características naturais da carne, se consolidando como uma alternativa no setor agropecuário brasileiro.
A produção de carne de vaca velha vem ganhando destaque no Brasil, impulsionada pela demanda da alta gastronomia e por produtores que apostam em cortes mais saborosos e valorizados. Inspirada em práticas europeias, a técnica utiliza animais mais velhos, com maior deposição de gordura, o que resulta em carne mais suculenta e com sabor intenso, diferente do padrão tradicional do mercado brasileiro.
Origem e adaptação no Brasil
A iniciativa começou há cerca de seis anos, a partir de experiências conduzidas pelo engenheiro agrônomo Roberto Barcellos, que buscou adaptar ao país métodos vistos na Europa. A proposta rompe com o modelo predominante no Brasil, que prioriza o abate de animais jovens, voltado principalmente à exportação.
Após testes com vacas mais velhas, o produto passou a chamar atenção pelo sabor diferenciado e abriu espaço para um novo nicho no mercado interno.
Produção e manejo
Para alcançar o padrão desejado, produtores utilizam raças taurinas, como Angus, Braford e Hereford, conhecidas pelo marmoreio da carne, característica que garante maciez e sabor.
As vacas passam por um período adicional de engorda, com alimentação de alto valor nutricional, o que contribui para o ganho de peso e melhoria da qualidade do corte. Em algumas propriedades, os animais chegam a até 700 quilos antes do abate.
Produto mais valorizado
A carne de vaca velha pode custar entre 30% e 40% a mais do que cortes tradicionais de Angus, ficando atrás apenas de carnes premium, como a da raça Wagyu.
Apesar da produção ainda ser limitada, com abates mensais relativamente baixos, o segmento tem crescido e já conta com produtores em estados como Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
Demanda cresce na gastronomia
Restaurantes de alto padrão passaram a incluir o produto nos cardápios, impulsionando a procura. Cortes como alcatra têm sido destaque, com aumento significativo nas compras por parte de estabelecimentos especializados.
Além do consumo in natura, a carne também vem sendo utilizada na produção de itens artesanais, como carnes maturadas, ampliando o mercado e agregando valor ao produto.
Tendência de expansão
A expectativa é de que a demanda continue em crescimento, acompanhando o interesse do consumidor por experiências gastronômicas diferenciadas. O modelo, que alia manejo específico e valorização de características naturais da carne, se consolida como uma alternativa no setor agropecuário brasileiro.