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Ibovespa renova recorde com forte entrada de capital estrangeiro em 2026

Bolsa brasileira lidera ganhos globais após saída de recursos dos EUA e avanço dos mercados emergentes

Painel de cotações da B3 | Edilson Dantas/Agência O GLOBO

A forte valorização dos ativos brasileiros levou o Ibovespa a renovar seu recorde histórico na última semana, colocando a Bolsa brasileira no topo do ranking global de desempenho. O avanço ocorre em um momento de realocação de capital, com investidores retirando recursos dos Estados Unidos e direcionando aportes para mercados emergentes. Até agora em janeiro, as ações brasileiras registraram um volume de U$ 2.3 bilhões em entradas estrangeiras, isso representa praticamente o dobro dos sete meses anteriores.

Na semana, o principal índice da B3 registrou alta de 9,7% em dólares, o melhor resultado entre as principais bolsas do mundo. O movimento reflete o aumento do apetite de investidores estrangeiros por ações brasileiras, que vêm sustentando a trajetória de alta desde o início do ano.

Investidores estrangeiros lideram os aportes

Dados da Bloomberg mostram que, até 21 de janeiro, estrangeiros injetaram R$ 12,35 bilhões no mercado acionário brasileiro. O volume representa o maior fluxo mensal desde dezembro de 2023, reforçando a percepção de que o Brasil voltou ao radar dos grandes investidores globais.

Segundo Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, o país se beneficia do atual cenário internacional. “O movimento global tem favorecido os mercados emergentes, e o Brasil se destaca por negociar com múltiplos descontados, oferecer juros mais atrativos e apresentar maior liquidez em relação a outros mercados da América Latina”, avaliou.

Busca por diversificação ganha força

A estratégia de diversificação tem levado investidores a reduzir a exposição a economias desenvolvidas, especialmente aos Estados Unidos, diante do aumento das incertezas políticas e das tensões comerciais internacionais.

Nesse contexto, a América Latina tem se destacado, impulsionada pela valorização das commodities, fator que tende a favorecer os índices acionários da região.

ETF brasileiro atrai maior volume em quase uma década

O EWZ, ETF que reúne ações de empresas brasileiras de médio e grande porte e representa cerca de 85% do mercado local, caminha para registrar o maior volume mensal de entradas desde setembro de 2014. O número de cotas em circulação se aproxima do maior nível já registrado.

No mesmo período, o Índice MSCI América Latina avançou 7,1%, alcançando o patamar mais elevado desde 2018. O desempenho superou o índice geral de mercados emergentes, que subiu 1% na semana.

Expectativas se voltam para juros e cenário político

Para os próximos meses, o mercado acompanha de perto dois fatores centrais: o início do ciclo de flexibilização monetária no Brasil e o calendário eleitoral.

Segundo projeções compiladas pela Bloomberg, a expectativa é de que o Banco Central inicie os cortes na Selic em março, com uma redução inicial de 0,25 ponto percentual.

Redirecionamento de capital global fortalece emergentes

O início de 2026 tem sido marcado por ganhos expressivos em ações, moedas e metais preciosos de países emergentes, impulsionados pela saída de recursos de mercados desenvolvidos.

As tensões entre os Estados Unidos e a Europa pressionam o dólar e estimulam fluxos de capital para regiões alternativas, reforçando o desempenho desses mercados.

China e tecnologia sustentam o rali global

O avanço dos mercados emergentes ganhou novo fôlego após o banco central chinês definir a taxa de referência diária do yuan acima de 7 por dólar, algo que não ocorria havia mais de dois anos, indicando maior tolerância à valorização da moeda.

As ações de tecnologia asiáticas seguem como principal motor do movimento. Na África do Sul, o principal índice acionário caminha para a terceira semana consecutiva de ganhos, enquanto o ouro opera próximo aos US$ 5 mil por onça.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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