SEÇÕES

Da falta de estrutura ao pouco apoio familiar: educadores enfrentam diversos obstáculos para garantir a alfabetização das crianças no Brasil - A desigualdade social agrava a situação

Professor aponta que falta de apoio familiar, estrutura precária e turmas cheias estão entre os principais desafios da alfabetização na rede pública. - A desigualdade social agrava a situação

Slide 1 de 10

A desigualdade social agrava a situação

Siga-nos no

A alfabetização é considerada uma das etapas mais importantes da educação básica, pois serve de base para o desenvolvimento da leitura, da escrita, da interpretação de textos e da aprendizagem ao longo da vida. No entanto, dados recentes mostram que uma parcela significativa das crianças brasileiras ainda enfrenta dificuldades para aprender a ler e escrever na idade esperada.

Segundo a 10ª edição da pesquisa "Educação na Perspectiva dos Estudantes e suas Famílias", realizada pelo Datafolha a pedido da Fundação Lemann, Itaú Social e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), 40% dos alunos de escolas públicas em fase de alfabetização apresentam algum tipo de dificuldade no processo de aprendizagem. Desse total, 6% não conseguem avançar na alfabetização, enquanto 34% evoluem, mas com dificuldades. O levantamento ouviu 1.323 pais e responsáveis de todas as regiões do país, em dezembro de 2022.

Os números também aparecem em avaliações oficiais. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece que o ciclo de alfabetização deve ser concluído até o final do 2º ano do Ensino Fundamental. Entretanto, dados de 2023 do programa federal Criança Alfabetizada apontam que apenas 56% dos estudantes dessa etapa atingiram o nível esperado. Já o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), registrou um índice ainda menor: apenas 49,3% das crianças estavam alfabetizadas. 

Embora os indicadores apresentem metodologias diferentes, ambos revelam um cenário preocupante: milhões de crianças brasileiras não conseguem desenvolver plenamente as habilidades de leitura e escrita na idade adequada. Para Maria José Nóbrega, mestre em Filologia e Língua Portuguesa, autora de materiais didáticos e formadora de professores da rede pública paulista, um dos principais fatores por trás desse cenário é a desigualdade no acesso à educação de qualidade. "A desigualdade social agrava a situação, refletindo-se em grandes disparidades de desempenho entre redes e regiões", afirma.

Slide 1 de 10

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais