SEÇÕES

Apple retoma liderança na China com alta de 28% nas remessas de iPhone

Concorrentes como Huawei e Xiaomi perdem espaço, enquanto Apple demonstra resiliência em meio à crescente escassez global de chips

Remessas da fabricante do iPhone em 2025 aumentaram 7,5% | Foto: Reprodução/ Qilai Shen/Bloomberg/Qilai Shen
Siga-nos no

A Apple retomou a liderança do mercado de smartphones na China após registrar um crescimento de 28% nas remessas de iPhones no trimestre encerrado em dezembro. O avanço ocorreu mesmo em um cenário de agravamento da escassez global de chips de memória, segundo dados da Counterpoint Research.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela forte demanda pela linha iPhone 17, que respondeu por uma em cada cinco remessas de smartphones no país durante o período, de acordo com a consultoria.

Concorrentes perdem espaço

O crescimento da Apple ocorreu em detrimento de concorrentes diretas como Huawei Technologies e Xiaomi, que registraram quedas percentuais de dois dígitos nas remessas. No geral, o mercado chinês, o maior do mundo, apresentou retração de 1,6% no trimestre.

Escassez de memória pressiona o setor

Empresas de toda a cadeia de semicondutores, da Micron Technology à própria Xiaomi, vêm alertando para os impactos incertos do déficit crescente de chips de memória usados no armazenamento de dados em dispositivos eletrônicos.

A escassez teve origem na decisão dos fabricantes de priorizar a produção de memória de ponta destinada aos chips de inteligência artificial da Nvidia, o que reduziu a oferta para outros segmentos. Como consequência, os preços subiram, pressionando especialmente empresas menores que não conseguem firmar contratos de fornecimento de longo prazo.

Preços devem subir ainda mais

Segundo analistas da Counterpoint, a tendência é de novos aumentos nos preços da memória.

“Ao olhar para o futuro, espera-se que os preços da memória subam entre 40% e 50% no primeiro trimestre de 2026, seguidos por um aumento adicional de cerca de 20% no segundo trimestre de 2026”, aponta o relatório.

Diante desse cenário, a consultoria avalia que fabricantes de smartphones devem otimizar seus portfólios, reduzindo a oferta de modelos de baixo custo para preservar margens de lucro.

Apple mostra maior resiliência

O impacto da crise, no entanto, tem sido desigual. O CEO da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), C.C. Wei, afirmou recentemente que os smartphones de ponta permanecem praticamente inalterados frente à escassez.

A Apple, cuja linha de produtos está concentrada nos segmentos premium, tem demonstrado maior resiliência em comparação aos concorrentes.

Além disso, uma nova rodada de subsídios ao consumidor chinês tem ajudado a aliviar parte da pressão de custos sobre os fabricantes, segundo a Counterpoint.

Participação de mercado e ressalvas

No acumulado do ano, a Apple ficou ligeiramente atrás da Huawei no ranking de remessas na China, com ambas registrando cerca de 17% de participação de mercado.

Em 2025, as remessas da fabricante do iPhone cresceram 7,5%. Um ponto negativo foi o desempenho do iPhone Air, lançado mais tarde na China do que em outros mercados e que não obteve boa aceitação.

“O iPhone Air teve um desempenho abaixo do esperado”, afirmou Ivan Lam, analista da Counterpoint. Segundo ele, o lançamento tardio e os compromissos entre espessura e conjunto de recursos contribuíram para um início lento do modelo.

Tópicos
Carregue mais
Veja Também