- Banco Central avalia interligar Pix a sistemas de pagamentos instantâneos internacionais.
- Proposta inclui interligações bilaterais e participação em hubs multilaterais de pagamentos.
- Integração direta entre sistemas permitiria transferências internacionais mais rápidas e baratas.
- Discussão ocorre em meio a críticas dos EUA sobre o funcionamento do Pix.
- BC destaca ganhos da integração em termos de custos, velocidade e transparência das transações.
O Banco Central (BC) informou nesta segunda-feira (10) que avalia a possibilidade de interligar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. A medida permitiria realizar remessas internacionais e compras com os recursos disponibilizados em moeda local em poucos segundos. A análise ocorre em meio às críticas do governo dos Estados Unidos ao sistema brasileiro de pagamentos.
Integração internacional
Segundo o BC, estão em estudo tanto interligações bilaterais entre países quanto a participação do Brasil em hubs multilaterais de pagamentos instantâneos. A proposta ampliaria o uso do Pix em operações internacionais e poderia reduzir custos e o tempo necessário para concluir transações.
Atualmente, o Banco Central já acompanha operações realizadas com Pix em outros países por meio de parcerias entre instituições financeiras brasileiras e estrangeiras. A nova possibilidade, porém, representaria uma integração direta entre sistemas de pagamentos instantâneos.
No relatório de gestão do Pix divulgado nesta segunda-feira, o BC afirmou que essas conexões podem permitir que transferências internacionais e pagamentos sejam concluídos de forma mais rápida, com os valores disponibilizados na moeda do país de destino.
Mais velocidade
De acordo com a autoridade monetária, a interligação dos sistemas tem potencial para reduzir tarifas, aumentar a velocidade das operações, ampliar o acesso e melhorar a transparência das transações realizadas entre diferentes países.
A possibilidade já havia sido mencionada pelo BC em um relatório de gestão publicado em 2023. Na ocasião, a instituição afirmou apenas que o Pix poderia, no futuro, ser integrado a sistemas internacionais de pagamentos instantâneos. No documento mais recente, a autarquia apresentou mais detalhes sobre os modelos que estão sendo analisados.
Pressão dos EUA
A discussão ocorre em um momento em que o Pix passou a ser citado pelo governo norte-americano em meio a medidas comerciais adotadas contra o Brasil.
Os Estados Unidos implementaram uma tarifa de 25% sobre a importação de uma série de produtos brasileiros, justificando a medida como resposta a práticas que classificou como comerciais desleais. Entre os pontos mencionados pelo governo norte-americano esteve o funcionamento do Pix.
Apesar do cenário de críticas, o BC destacou no relatório os possíveis ganhos da integração internacional dos sistemas de pagamentos instantâneos, principalmente em relação à redução de custos e à agilidade das transações transfronteiriças.