O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank, oficialmente Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, que integra o conglomerado do Banco Master. A medida ocorre por extensão, após a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, e interrompe as atividades da empresa responsável pela captação de recursos e concessão de crédito dentro do grupo.
Instituição já operava sob regime especial
Desde a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro de 2025, o Will Bank vinha funcionando sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet), mecanismo em que o Banco Central assume temporariamente o controle da instituição para tentar evitar prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Em nota, o BC informou que a decisão foi tomada devido ao “comprometimento da situação econômica” da financeira e à incapacidade de honrar suas próprias dívidas, em razão do vínculo de interesse e do poder de controle exercido pelo Banco Master, já em liquidação.
Falhas em pagamentos aceleraram decisão
Segundo o Banco Central, no último dia 19 de janeiro, a Mastercard informou que a Will Financeira não havia honrado os pagamentos devidos. No dia seguinte, a operadora decidiu suspender a aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank por conta das dívidas acumuladas.
A instituição ainda não havia sido liquidada porque o BC tentava viabilizar a venda do banco a um investidor estrangeiro, de origem árabe, o que não se concretizou. Com o fracasso da negociação e o acúmulo de débitos, o funcionamento do Will Bank foi considerado inviável.
FGC vai ressarcir clientes
Com a liquidação, caberá ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ressarcir os credores lesados. A estimativa é que o custo ao fundo seja de cerca de R$ 5 bilhões.
O FGC cobre valores aplicados somados aos rendimentos até a data da liquidação, limitados ao teto de R$ 250 mil por credor. O fundo só atua em casos de intervenção ou liquidação de instituições financeiras.
Perfil do Will Bank
Criado com foco em inclusão financeira, o Will Bank se apresentava como um banco digital voltado principalmente a pessoas com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional, especialmente clientes de renda média e baixa.
Procurado, o Will Bank não se manifestou até a última atualização desta matéria.
Contexto do Banco Master
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em dezembro de 2025 pelo Banco Central após enfrentar dificuldades financeiras, alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados arriscados.
Tentativas de venda, como uma proposta do BRB, não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle e falta de transparência. O alerta no mercado se intensificou quando o banco passou a oferecer CDBs com rentabilidades acima do padrão.
Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero. Ele é apontado como sócio oculto de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O que diz o Banco Central
Em comunicado oficial, o BC informou que a liquidação do Will Bank tornou-se inevitável após o descumprimento da grade de pagamentos com a Mastercard e o bloqueio da participação da financeira no arranjo de pagamentos.
“A liquidação extrajudicial ocorreu em razão do comprometimento da situação econômico-financeira, da insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A.”, diz trecho da nota.
O Banco Central acrescentou ainda que seguirá apurando responsabilidades e que os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis, conforme previsto em lei.
VEJA A NOTA COMPLETA DO BANCO CENTRAL
O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025.
O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A.
O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.
Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial.
O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada.
Nota da Mastercard
A Mastercard informou que mantém garantias de seus participantes como parte da gestão de risco.
“Essas garantias têm como finalidade exclusiva assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento por parte dos emissores em caso de inadimplemento”, afirmou a empresa em nota.