O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já desembolsou R$ 32,5 bilhões em ressarcimentos a investidores afetados pela liquidação do conglomerado do Banco Master, valor que representa cerca de 80% do total previsto. Os pagamentos alcançaram aproximadamente 580 mil credores, o equivalente a 75% da base, segundo dados divulgados pelo próprio fundo.
Os recursos pagos referem-se, majoritariamente, a aplicações em CDBs do Banco Master, além de operações ligadas ao Banco Master de Investimento e ao Letsbank, instituições que foram liquidadas pelo Banco Central do Brasil em novembro do ano passado. A expectativa do FGC é que o percentual pago se aproxime de 90% até o fim desta semana.
Pedidos ainda em análise
De acordo com o fundo, cerca de 20 mil pedidos seguem pendentes, aguardando alguma ação por parte dos próprios credores, como atualização cadastral ou confirmação de dados. O FGC reforça que mantém a cobertura legal de até R$ 250 mil por conta, limitada a R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ, conforme a regulamentação vigente.
No caso do Will Bank, também integrante do conglomerado Master e liquidado no último dia 21, a estimativa é de um desembolso adicional de R$ 6,3 bilhões. Os pagamentos, porém, só devem começar após a conclusão da base definitiva de credores, que ainda está em consolidação pelo liquidante, com apoio técnico do fundo.
Desafios no processo
O CEO do FGC, Daniel Lima, explicou que o caso do Master apresentou dificuldades específicas que atrasaram a elaboração da lista de credores. Segundo ele, o prazo médio desse processo costuma ser de cerca de 30 dias, mas, nesse episódio, levou praticamente o dobro. “É uma estatística que pode ser alterada em virtude dos desafios do caso concreto”, afirmou.
Entre os fatores que tornaram o trabalho mais complexo estão o porte do conglomerado, a existência de múltiplos CNPJs, diferentes prestadores de serviços e exigências adicionais de compliance e controles internos, o que demandou mais tempo de verificação.
Reforço contra fraudes
Diante do volume elevado de pagamentos, o FGC informou ter reforçado os mecanismos de segurança para evitar golpes. Segundo Daniel Lima, foram criadas várias camadas de proteção e, até o momento, não há registro de fraudes bem-sucedidas. “A gente realmente criou várias camadas de proteção para tentar evitar o sucesso dos criminosos”, disse.
O executivo também comentou as tentativas de engenharia social, como criação de sites e aplicativos falsos e tentativas de instalação de vírus para capturar dados bancários. Um alerta conjunto foi divulgado pelo fundo e por entidades do setor financeiro no último sábado (24), orientando a população a redobrar os cuidados.
Situação financeira do fundo
Apesar do impacto do caso Master, o CEO garantiu que o FGC segue com capacidade financeira robusta. Segundo ele, o fundo possui um patrimônio próximo de R$ 160 bilhões, com liquidez imediata de R$ 122 bilhões, além de um fundo de resolução com cerca de R$ 26 bilhões. Ainda está em discussão se será necessária alguma capitalização adicional.
Daniel Lima destacou ainda que o episódio deve impulsionar debates regulatórios sobre o uso da garantia do FGC como argumento de venda de produtos financeiros. “Todo mundo precisa ter um pouco de ‘skin in the game’, porque senão os comportamentos acabam sendo não ótimos”, afirmou, ao defender maior corresponsabilidade entre bancos, distribuidores e investidores.