O Brasil encerrou 2025 com taxa média de desemprego de 5,6%, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma queda de 1 ponto percentual em relação a 2024 e consolida o mercado de trabalho brasileiro como um dos mais aquecidos da última década.
Ao longo de 2025, a população desocupada foi estimada em 6,2 milhões de pessoas, cerca de 1 milhão a menos do que no ano anterior, o que corresponde a uma redução de 14,5%. Já a população ocupada alcançou 103 milhões de trabalhadores, o maior número da série histórica, com avanço de 1,7% frente a 2024. O nível de ocupação chegou a 59,1%, recorde desde 2012.
Emprego resistente mesmo com juros altos
De acordo com a analista do IBGE, Adriana Beringuy, a manutenção do desemprego em patamar baixo ocorreu mesmo em um cenário de juros elevados porque os setores que mais geraram vagas foram menos dependentes de crédito. “O efeito da taxa de juros não é uniforme. As atividades que mais ampliaram o emprego e o consumo não foram as mais sensíveis à alta dos juros”, explicou.
Segundo ela, o crescimento da ocupação foi impulsionado principalmente pelo aumento da renda do trabalhador, e não pela expansão do crédito. A elevação do salário mínimo e a geração de vagas em setores com maior escolaridade e remuneração contribuíram diretamente para esse movimento.
O rendimento real habitual médio subiu para R$ 3.560 em 2025, alta de 5,7% em relação a 2024. A massa de rendimentos somou R$ 361,7 bilhões, o maior valor da série histórica. No mercado formal, o número de empregados com carteira assinada chegou a 38,9 milhões, crescimento de 2,8% em um ano. Já a taxa de informalidade recuou para 38,1%, sinalizando melhora gradual na qualidade dos vínculos de trabalho.
Subutilização e desalento em queda
A taxa de subutilização da força de trabalho caiu para 14,5%, recuo de 1,7 ponto percentual frente a 2024. O número de pessoas subutilizadas foi estimado em 16,6 milhões, enquanto a população desalentada, pessoas que desistiram de procurar emprego, caiu para 2,9 milhões, uma redução de 9,6% no ano.
Entre os grupamentos de atividade, o maior crescimento percentual foi registrado nos setores de informação, comunicação e atividades financeiras, administrativas e profissionais, com alta de 6,8%. A administração pública, saúde e educação também apresentaram avanço relevante, enquanto a construção civil recuou 3,9%, interrompendo uma sequência de quatro anos de crescimento, refletindo maior sensibilidade aos juros elevados.
Perspectivas para 2026
Economistas avaliam que o desempenho do mercado de trabalho em 2025 criou uma base sólida para sustentar a renda e o consumo das famílias. A expectativa é de que o desemprego permaneça em níveis historicamente baixos em 2026, ainda que com leve elevação ao longo do ano, acompanhando um crescimento econômico mais moderado.
Segundo analistas, mesmo com sinais pontuais de desaceleração, o mercado de trabalho deve continuar sendo um dos principais pilares da atividade econômica brasileira no próximo ano.