Nos últimos anos, os valores dos ovos de Páscoa registraram um aumento expressivo. O principal fator por trás dessa alta é o encarecimento do cacau, matéria-prima essencial para a produção dos chocolates.
A cadeia global do cacau foi fortemente impactada por eventos climáticos entre 2023 e 2024, o que pressionou as cotações da tonelada nas bolsas internacionais e reduziu a oferta do produto no mercado.
CONSUMIDOR SOFRE
Quando há desequilíbrio entre oferta e demanda, a indústria acaba pagando mais caro pela matéria-prima. Esse aumento de custos é repassado ao longo da cadeia produtiva, fazendo com que o impacto final recaia sobre o bolso do consumidor.
Atualmente, os preços do cacau voltam a oscilar entre US$ 3 mil e US$ 5 mil por tonelada na bolsa de Nova York. Esse movimento traz certo alívio para as fabricantes de chocolate no Brasil, que enfrentaram um período de forte pressão nos custos.
Em 2026, o desafio das grandes empresas do setor é recuperar os prejuízos acumulados. O ponto central será evitar que os reajustes de preços e a queda na moagem de cacau resultem em um novo ciclo de desequilíbrio no mercado.
QUEDA NA PRODUÇÃO DE CACAU
A moagem de cacau na Europa caiu 8,3% em relação ao ano anterior, totalizando 304,47 mil toneladas no quarto trimestre. Essa foi a sexta queda consecutiva e superou, negativamente, as previsões do mercado, que indicavam uma retração de 2,9%. O mercado europeu responde por cerca de 40% a 45% do consumo global de cacau.
No Brasil, a indústria nacional segue sensível às oscilações de preço e à oferta do produto, já que uma parcela significativa da amêndoa utilizada ainda é importada.
Com o mercado de cacau em processo de ajuste, a indústria brasileira de chocolate projeta a Páscoa de 2026 com expectativas menos tensas do que nos últimos anos, mas ainda cercadas de cautela.