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Carne inacessível: crise faz argentino comprar carne de burro, substituindo bovinos

Conhecida por ter uma das populações mais carnívoras do mundo, parte dos argentinos tem buscado alternativas mais baratas

Produtor argentino incentiva o consumo da carne de burro | Foto: Leon Woods/Pexels
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O aumento global no preço do boi gordo tem impactado diretamente o consumo na Argentina. Conhecida por ter uma das populações mais carnívoras do mundo, parte dos argentinos tem buscado alternativas mais baratas, como a carne de burro, para driblar a inflação.

Preço da carne bovina dispara

Segundo o Indec, o quilo da carne moída comum na Grande Buenos Aires chegou a 10.324,46 pesos em março, com alta de 8,4% no mês e 63,2% em 12 meses.

Os preços elevados também são registrados em outras regiões:

  • Patagônia: 12.528,33 pesos
  • Nordeste: 11.908,60 pesos
  • Noroeste: 10.415,17 pesos

Valorização do boi gordo pressiona mercado

A arroba do boi gordo subiu 26,5% no ano, alcançando US$ 73,58, segundo o Cepea — valor acima do recorde anterior, registrado em 2022.

Diante desse cenário, produtores passaram a incentivar o consumo de carne de burro. O pecuarista Julio Cittadini comercializa cortes semelhantes aos bovinos por cerca de 7.500 pesos o quilo, tornando-se uma opção mais acessível.

Alternativa cresce em regiões específicas

A prática tem avançado principalmente em áreas com limitações para a pecuária tradicional, como a Patagônia, onde animais mais resistentes são mais viáveis.

O Ministério da Produção da Argentina passou a apoiar a iniciativa, prometendo reforçar o controle sanitário. Segundo produtores, a procura já supera as expectativas.

A redução do preço da carne foi uma das promessas de campanha do presidente Javier Milei, mas até o momento não se concretizou, mantendo a pressão sobre o orçamento das famílias.

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