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CEO de gigante petrolífera desafia Trump ao citar inviabilidade de atuação na Venezuela

Trump afirmou a jornalistas que “não gostou” das declarações do CEO da Exxon e sinalizou a possibilidade de manter a empresa fora da Venezuela.

CEO da ExxonMobil desagradou o presidente dos Estados Unidos ao falar sobre a exploração de petróleo da Venezuela. | Foto: Divulgação
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As declarações do presidente-executivo da Exxon Mobil, Darren Woods, sobre a Venezuela expuseram os limites políticos de contrariar publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e geraram desconforto na Casa Branca. Ao afirmar que não é viável investir no país neste momento, o executivo contrariou a estratégia do governo americano e colocou a petrolífera sob risco de exclusão de eventuais planos oficiais para o setor energético venezuelano.

PRESSÃO DA CASA BRANCA

Trump defende que empresas dos Estados Unidos liderem um plano de US$ 100 bilhões para reconstruir a indústria de petróleo da Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro. No entanto, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News, executivos do setor avaliam que o ambiente atual não oferece condições para uma recuperação rápida e sustentável.

Além disso, há receio de que companhias americanas sejam vistas como oportunistas, disputando as reservas venezuelanas — consideradas as maiores do mundo — em um contexto político ainda instável.

REUNIÃO E MAL-ESTAR

Woods participou da reunião com Trump ao lado de cerca de 20 líderes da indústria petrolífera e adotou um discurso direto. A franqueza, contudo, não foi bem recebida pelo presidente. No domingo à noite, Trump afirmou a jornalistas que “não gostou” das declarações do CEO da Exxon e sinalizou a possibilidade de manter a empresa fora da Venezuela, acrescentando: “Eles estão sendo espertinhos demais”.

ANÁLISE DE ESPECIALISTAS

Para analistas, o episódio ilustra os riscos enfrentados por executivos ao confrontarem publicamente o presidente americano. Andrew Logan, diretor sênior de petróleo e gás da organização ambiental CERES, avaliou a situação:

“Woods achava que estava falando a verdade — e provavelmente estava —, mas não leu o ambiente”, afirmou.
“Ele não estava em posição de dizer isso sem reação, e foi isso que recebeu.”

DESAFIOS ESTRUTURAIS

A cautela das empresas encontra respaldo técnico. Atualmente, a produção venezuelana gira em torno de 1 milhão de barris por dia, muito abaixo do pico de quase 4 milhões de barris diários registrado na década de 1970. Especialistas afirmam que uma retomada expressiva exigiria dezenas de bilhões de dólares para reconstrução de plataformas abandonadas, oleodutos com vazamentos e equipamentos danificados por incêndios.

Além da infraestrutura, representantes do setor cobram reformas políticas e legais, garantias para a movimentação de recursos financeiros e segurança operacional antes de qualquer compromisso de longo prazo.

POSIÇÃO DA INDÚSTRIA

O entendimento foi reforçado publicamente por Mike Sommers, CEO do Instituto Americano de Petróleo, após a reunião com Trump:

“A indústria estava unida na sexta-feira — na reunião com o presidente — de que haverá certos pré-requisitos que precisam ocorrer antes de existirem investimentos contínuos na Venezuela.”

CENÁRIO ATUAL

Enquanto a Exxon enfrenta resistência política, sua principal concorrente, a Chevron, segue, por ora, como a única grande petrolífera internacional ainda operando na Venezuela.

Segundo pessoas próximas à Exxon, a empresa ficou surpresa com a repercussão negativa das declarações de Woods, uma vez que o executivo também teria informado a Trump que a companhia avaliaria enviar uma equipe técnica ao país, caso fosse formalmente convidada pelo governo venezuelano.

Woods ainda demonstrou confiança de que a gestão Trump poderia promover as reformas legais e regulatórias necessárias para viabilizar investimentos futuros. 

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