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Conflito no Oriente Médio afeta mercado de Petróleo; veja os impactos no Piauí

A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o preço internacional do petróleo e já provoca reflexos no Brasil. Saiba como o Piauí pode ser afetado

Preço dos combustíveis pode ser afetado no Piauí | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo países como Irã, Estados Unidos e Israel, tem provocado consequências não apenas no cenário geopolítico, mas também na economia mundial. Um dos principais impactos ocorre no mercado internacional de petróleo, cuja cotação voltou a subir diante das incertezas na região.

Desde o início das tensões, o preço do barril ultrapassou a marca de US$ 100, atingindo o maior patamar desde fevereiro de 2022, período em que teve início a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Alta chega aos postos em Teresina

A valorização do petróleo já começou a impactar o preço dos combustíveis no Brasil. Em Teresina, o valor médio da gasolina registrou aumento de cerca de R$ 0,50 por litro, enquanto o diesel teve alta aproximada de R$ 1.

Segundo o setor de combustíveis, o reajuste tem efeito direto em diferentes áreas da economia, especialmente no transporte e na cadeia de distribuição de produtos.

Dependência de importação influencia preços

Em entrevista à TV Meio Norte, o presidente do Sindicato dos Postos Revendedores de Combustíveis do Piauí (Sindipostos), Guilherme Parente, explicou que o preço do combustível no Brasil depende de uma cadeia internacional que começa na importação.

O imposto de combustível é apenas o final de uma cadeia global que começa desde a importação, o Brasil não é autossuficiente em refino e distribuição de combustível. Ele produz e distribui muito combustível bruto para o exterior. Então boa parte desse mercado se dá por meio da importação, 30 a 40% do mercado é importado.

Guilherme Parente, Presidente do Sindipostos-PI - Foto: Reprodução/TV Meio Norte

Sobre a Logística no Piauí, ele complementa:

No estado do Piauí, esse combustível vem do Porto de Itaqui, em São Luís, onde operam trailers, importadoras e distribuidoras que trabalham com importação. É um mercado que trabalha muito com preço e reposição de estoque, então a gente é sentido aqui diretamente pelo fato do importado trabalhar em cima do valor da commodity, que segue padrões internacionais de preço.

Como se trata de uma commodity negociada globalmente e com preços dolarizados, qualquer oscilação no mercado internacional acaba sendo refletida nos valores praticados no Brasil.

Impacto no consumo

O aumento no preço também altera o comportamento dos consumidores. Segundo Guilherme, muitos motoristas mantêm o mesmo valor gasto por abastecimento, mesmo com a alta do combustível. Com isso, acabam levando menos combustível para casa, o que reduz o volume de vendas nos postos.

É ruim para todo mundo. O pessoal acha que, pelo o fato de aumentar o combustível, o posto estaria ganhando mais. Pelo contrário, o posto perde muito. A população continua colocando o mesmo valor de R$ 50 e R$ 100, só que agora tá rendendo menos, com isso, o estabelecimento passa a vender menos também.

Incerteza e possibilidade de novos aumentos

O presidente do Sindipostos alerta que o cenário ainda é incerto, principalmente devido à localização do conflito. A região do Golfo Pérsico, próxima ao Estreito de Ormuz, concentra cerca de 20% a 30% da produção mundial de petróleo.

Esse é um momento atípico, de conflito. O local em que está tendo o conflito, Golfo Pérsico, é responsável por 20 a 30% do mercado internacional do petróleo, no estreito de Ormuz. Várias embarcações estão paradas, porque prêmios de seguro foram cancelados e fretes foram realocados. E isso afeta diretamente os valores, porque ninguém sabe quando vai chegar o combustível aqui e a que preço. Tudo isso gera especulações.

Sobre a possibilidade aumento nas próximas semanas, Guilherme ressaltou a tendência de aumento nos preços.

Hoje, o petróleo aumentou cerca de 10%. A tendência é de mais aumento. A paridade internacional da Petrobrás está muito defasada. Para ela igualar o mercado internacional, ela teria que repassar esses aumentos. A Petrobrás tá protegendo o mercado, mas tenho certeza que ela vai fazer algum repasse nesses próximos dias.

Consumidores devem acompanhar preços

Diante desse cenário, especialistas recomendam que os consumidores acompanhem as variações no preço dos combustíveis nas próximas semanas, já que a evolução do conflito internacional pode continuar influenciando o mercado.

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