- Banco Central reduz Selic em 0,25 ponto percentual, a 13,75%, pela quinta vez consecutiva.
- Decisão do Copom foi unânime e alinhada às expectativas do mercado, mantendo incerteza sobre próximos passos.
- Comitê destacou necessidade de cautela e serenidade diante de cenário externo incerto e volatilidade de preços.
- Domesticamente, atividade econômica mostrou moderação, mas inflação ainda acima da meta, com riscos elevados.
- IPCA recuou 0,32% em agosto, primeira deflação mensal em um ano, com queda nos custos de energia e combustíveis.
O Banco Central reduziu a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva nesta quarta-feira (16), a 13,75% ao ano. A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) foi linha com o esperado pelo mercado e foi unânime.
No comunicado que acompanha a decisão, o Comitê destacou ter deixado os próximos passos em aberto ao afirmar que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
“Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, disse.
O BC acrescentou que seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
O Copom destacou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Já em relação ao cenário doméstico, apontou que o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta.
Cabe ressaltar que, na última sexta, o IBGE informou que o IPCA recuou 0,32% em agosto, na primeira deflação mensal em um ano, sob o impacto da queda nos custos da energia elétrica, alimentos e combustíveis.
Em 12 meses, o índice passou a acumular alta de 4,22%, de 4,44% no mês anterior, indo mais abaixo do teto da meta contínua para a inflação –3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Contudo, o comunicado ressaltou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista.