- Endividamento familiar brasileiro recua para 81,7% em setembro, após 12 meses de aumento.
- Inadimplência familiar cai para 29,6%, abaixo do nível de setembro de 2025.
- Tempo médio de atraso nas dívidas atinge 65,3 dias, maior desde novembro de 2024.
- Redução do endividamento é mais expressiva entre famílias de baixa renda.
- Economista atribui melhora ao comportamento da renda e programas de renegociação.
O endividamento das famílias brasileiras recuou pela primeira vez desde dezembro de 2025, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A parcela de famílias com dívidas caiu de 82% em agosto para 81,7% em setembro. O indicador vinha em alta desde dezembro do ano passado, quando estava em 80,9%, e atingiu o pico de 82,2% em abril e maio. A CNC projeta que o endividamento termine 2026 em torno de 81,5%.
Inadimplência também recua
A parcela de famílias com dívidas em atraso caiu de 29,9% em agosto para 29,6% em setembro. O índice também ficou abaixo do registrado em setembro de 2025, quando alcançou 30,5%. O percentual de famílias que afirmaram não ter condições de pagar as dívidas atrasadas permaneceu em 12,5%. Em setembro do ano passado, o índice era de 13%.
Já a parcela de famílias consideradas muito endividadas recuou de 17,9% para 17,3%.
Dívidas ficam mais tempo em atraso
Apesar da melhora nos principais indicadores, o tempo médio de atraso aumentou pelo segundo mês consecutivo. Em setembro, as dívidas estavam atrasadas, em média, por 65,3 dias, o maior período desde novembro de 2024, quando a média chegou a 65,5 dias. Além disso, 48,9% das dívidas em atraso estavam vencidas havia mais de 90 dias.
Endividamento varia conforme a renda
A inadimplência recuou entre as famílias com renda de até três salários mínimos e aumentou entre aquelas que ganham mais de dez salários mínimos. A faixa de renda mais alta foi a única entre as quatro analisadas pela pesquisa que apresentou aumento do indicador no período.
Para a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, os números indicam uma melhora ainda pequena no quadro de endividamento. Segundo ela, um dos fatores que podem ter contribuído para a redução é o comportamento da renda das famílias, em um mercado de trabalho que permanece resiliente.
A economista também considera que programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil 2, podem ter ajudado famílias a reorganizar os pagamentos e ampliar os prazos. Na avaliação de Juliana, a redução dos juros não é a principal explicação para o recuo registrado em setembro.