- Estados Unidos corre risco de perder título de maior exportador agrícola para o Brasil.
- Brasil bate recorde com exportações de US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026.
- Tarifas comerciais de Trump influenciaram crescimento das exportações brasileiras.
- China ampliou compras de soja brasileira após retaliação contra tarifas norte-americanas.
- Agricultores norte-americanos preveem prejuízos de US$ 138 por acre na produção de soja.
Uma reportagem publicada nesta terça-feira (21) pelo jornal britânico Financial Times afirma que os Estados Unidos correm o risco de perder para o Brasil a posição de maior exportador agrícola do mundo.
De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e do Ministério da Agricultura e Pecuária, os norte-americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, apenas US$ 2 bilhões a mais que o Brasil, que somou US$ 169 bilhões. Em 2021, a diferença entre os dois países era de US$ 56 bilhões.
Exportações brasileiras registram novo recorde
Segundo a publicação, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 6% no primeiro semestre de 2026, alcançando o recorde de US$ 87 bilhões. O desempenho é atribuído ao fato de o Brasil ser o maior produtor mundial de soja, carne bovina e carne de frango, além do avanço em culturas como o algodão, mercado em que o país ultrapassou os Estados Unidos como principal exportador.
Tarifas comerciais favoreceram o Brasil, diz reportagem
Analistas ouvidos pelo Financial Times, em entrevistas realizadas nos estados de Iowa, nos Estados Unidos, e Mato Grosso, no Brasil, apontam que as mudanças no comércio internacional foram impulsionadas pelas tarifas comerciais adotadas pelo presidente Donald Trump.
Segundo a reportagem, a China, um dos maiores importadores de produtos agrícolas do mundo, reduziu significativamente as compras dos Estados Unidos após a imposição de tarifas sobre produtos chineses em 2018, durante o primeiro mandato de Trump.
China ampliou compras de soja brasileira
Um gráfico publicado pelo jornal mostra que, em 2016, a China importava volumes semelhantes de soja do Brasil e dos Estados Unidos.
Após a retaliação de Pequim às tarifas impostas por Washington, as exportações brasileiras cresceram de forma acelerada. Em 2025, o Brasil exportou mais de 80 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto os Estados Unidos ficaram abaixo desse volume.
Os dados utilizados na reportagem são do UN Comtrade (United Nations Commodity Trade Statistics Database), banco de dados das Nações Unidas sobre comércio internacional.
Agricultores americanos projetam prejuízos
Ainda segundo a reportagem, estimativas da American Farm Bureau Federation, principal organização que representa agricultores e pecuaristas dos Estados Unidos, indicam que o setor poderá registrar prejuízos no próximo ano. A projeção é de perdas de US$ 138 por acre na produção de soja, US$ 167 por acre no milho, US$ 145 por acre no trigo e US$ 406 por acre no algodão.