O avanço da pauta que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 tem gerado forte reação de entidades do comércio e da indústria. Representantes dos setores afirmam que a medida pode trazer impactos negativos à economia caso seja aprovada, especialmente se houver redução da jornada sem diminuição de salários.
Entre os principais argumentos apresentados estão o possível aumento da inflação, a elevação dos custos para as empresas e a redução de vagas formais no mercado de trabalho.
Propostas em análise no Congresso
Atualmente, o Congresso Nacional analisa cerca de quatro propostas que preveem a redução da jornada semanal de trabalho, hoje fixada em 44 horas.
Em 2025, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou um dispositivo que permite a diminuição da carga horária para até 36 horas semanais. Além disso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula a apresentação de um novo projeto após o Carnaval.
Impacto no custo do trabalhador
Segundo a Federação do Comércio (Fecomércio), a redução da jornada implicaria aumento significativo no custo da hora trabalhada. O cálculo considera um trabalhador com jornada mensal de 220 horas e salário de R$ 2,2 mil, o que resulta em um custo médio de R$ 10 por hora.
Com a redução da jornada para 36 horas semanais, o equivalente a 180 horas mensais, o custo da hora subiria para R$12,22. Na prática, a carga horária cairia 18,2%, enquanto o custo da hora aumentaria 22,2%.
A entidade alerta ainda que a reorganização das escalas de trabalho e da operação das empresas também representaria um desafio adicional após a implementação da medida.
Reflexos no setor público
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023 apontam que, dos 53,3 milhões de vínculos empregatícios formais ativos no país, 62,9% - cerca de 33,5 milhões de trabalhadores - possuem jornada semanal entre 41 e 44 horas.
De acordo com estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução da jornada para 36 horas elevaria os gastos com empregados formais em 20,7% em toda a economia. Apenas na indústria, o aumento direto de custos seria de R$178,8 bilhões, o equivalente a uma alta de 25,1%.
No setor público, o impacto também seria expressivo. A projeção indica um aumento de R$150,4 bilhões nos gastos com empregados formais, o que representa um avanço de 23,7% em relação ao patamar registrado em 2023.