- Cancelamento da taxa das blusinhas impulsionou 28,36 milhões de remessas internacionais em junho, um aumento de 118% em relação a junho de 2025.
- Comércio nacional teme impactos negativos devido ao crescimento das compras em plataformas estrangeiras e perda de competitividade.
- Parlamentares defendem igualdade tributária entre empresas nacionais e internacionais, evitando concorrência desigual.
- Importadores acreditam que isenção amplia acesso a produtos, mas alertam sobre necessidade de monitorar o crescimento das compras.
- Medida depende da aprovação no Congresso até setembro, caso contrário, a taxa poderá ser retomada em 2027.
O fim da chamada taxa das blusinhas provocou um forte aumento nas compras internacionais feitas por brasileiros. Dados da Receita Federal mostram que, em junho, primeiro mês completo sem a cobrança do imposto de importação sobre encomendas de até US$ 50, o país recebeu 28,36 milhões de remessas internacionais.
O volume representa um crescimento de 118% em relação a junho de 2025, quando foram registradas 13,02 milhões de encomendas. Na comparação com abril deste ano, último mês antes da retomada da isenção, o aumento foi de 72%. Já em relação à média dos quatro primeiros meses de 2026, a alta chegou a 84%.
A chamada taxa das blusinhas era alvo de críticas por parte dos consumidores, que reclamavam do aumento no preço de produtos importados de baixo valor e da perda de competitividade de plataformas internacionais.
Setor varejista demonstra preocupação
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa empresas como Americanas, Casas Bahia, Magazine Luiza, Renner, Centauro e Dafiti, afirmou que o crescimento das compras em plataformas estrangeiras pode afetar as vendas do comércio nacional.
Segundo a entidade, além dos impactos da Copa do Mundo sobre o consumo, a isenção do imposto favorece sites internacionais e pode resultar em redução de empregos e investimentos no varejo brasileiro.
Parlamentares ligados às frentes do Comércio e Serviços, Ambiente de Negócios, Brasil Competitivo e Combate à Pirataria também defenderam regras tributárias iguais para empresas nacionais e estrangeiras.
Em nota, o grupo afirmou que reduzir impostos apenas para plataformas internacionais cria uma concorrência desigual e defendeu o princípio de que, se houver redução da carga tributária para empresas estrangeiras, o mesmo benefício deve ser concedido às brasileiras.
Importadores defendem isenção
Já a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas como Amazon, Alibaba e Shein, classificou o aumento das importações como um movimento esperado após a retirada do imposto.
A entidade avalia que a isenção amplia o acesso dos consumidores a produtos importados, principalmente das famílias de menor renda, mas ressalta que será necessário acompanhar os próximos meses para verificar se o crescimento das compras se manterá.
Medida ainda depende do Congresso
O fim da taxa das blusinhas foi estabelecido por meio de uma Medida Provisória, que já está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até setembro para continuar valendo. Caso isso não ocorra, a cobrança poderá ser retomada.
Enquanto isso, entidades do varejo defendem o retorno da tributação e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar restabelecer o imposto.
Mesmo com a disputa no Congresso e na Justiça, a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50 deverá voltar em 2027, por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela reforma tributária. A alíquota ainda será definida pelo governo federal até o fim deste ano.