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Gestor de hedge fund americano vê queda da Bolsa como exagerada e aproveita para comprar ações

Citrone é conhecido como Tiger cub (cria do Tiger), por ter trabalhado com o investidor Julian Robertson no fundo multimercado Tiger Management

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  • Investidor americano amplia exposição a empresas brasileiras após queda da Bolsa.
  • Rob Citrone vê recuperação da Bolsa e ajusta expectativas com novos alvos.
  • Vitória de Lula surpreendeu Citrone, que mantém cautela com investimentos.
  • Escolha de ministros pode reduzir ajuste fiscal e melhorar confiança do mercado.
  • Citrone espera aproximação entre Lula e Trump, apesar das tarifas anteriores.
Bolsa de valores | Foto: Reprodução
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Em meio ao derretimento de quase 14% da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (26), após as eleições, alguns investidores enxergam uma oportunidade de compra. O americano Rob Citrone, gestor do fundo multimercado Discovery, que investe em mercados emergentes há décadas, aproveitou a desvalorização para ampliar sua exposição a empresas brasileiras.

“Vemos uma recuperação no mercado depois do excesso de vendas. Então, aproveitamos isso e aumentamos um pouco a exposição. Mas não estamos ampliando nossa exposição estratégica até vermos o que o governo fará”, disse o investidor em entrevista à Folha, na tarde desta segunda-feira.

Quem é Rob Citrone?

Citrone é conhecido como Tiger cub (cria do Tiger), por ter trabalhado com o investidor Julian Robertson no fundo multimercado Tiger Management. Sua estratégia de investimentos em mercados emergentes proporcionou retornos elevados com apostas no Equador e na Argentina nos últimos anos.

No entanto, a expectativa de que o Brasil pudesse repetir o ciclo de valorização observado na Argentina sob o governo de Javier Milei parece improvável neste momento.

Investidor aposta em recuperação da Bolsa

Segundo Citrone, a reação do mercado brasileiro à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi exagerada. Por isso, ele optou por não vender seus ativos e aguardar uma recuperação da Bolsa. Uma das principais apostas do gestor é o Nubank, em razão de seu modelo de negócios e da expansão internacional da instituição financeira, que inclui mercados como México e Estados Unidos.

“Meus alvos para a recuperação no curto prazo são o dólar a R$ 5,25 e o Ibovespa a 185 mil pontos. São os níveis próximos do valor justo, em que deveriam estar diante do resultado [eleitoral] e da incerteza [quanto à economia]”, afirmou. O Ibovespa fechou a segunda-feira em 176.608 pontos, com queda de 13,88%. Já o dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,409, após alta de 8,41%.

Vitória de Lula surpreendeu o investidor

Citrone afirmou que a vitória de Lula no segundo turno foi uma surpresa. Segundo ele, pesquisas eleitorais indicavam vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) até o fechamento do mercado na sexta-feira (23), antes do debate da TV Globo.

“Eu tinha algumas ações e uma posição na moeda [real], mas estava com apenas cerca de 40% da exposição que pretendia. Estava esperando, porque não tinha certeza, mas eu realmente achava que Bolsonaro venceria. Por isso tínhamos alguma exposição”, declarou.

Investimentos no Brasil dependem de medidas econômicas

Apesar da cautela, Citrone não descarta aumentar os investimentos no Brasil, caso o governo Lula adote medidas econômicas que agradem ao mercado.

“Se o governo Lula fizer as coisas certas, poderemos aumentar nossa exposição. Se não fizer, achamos que a recuperação do mercado vai continuar e, depois, reduziremos provavelmente a exposição ao longo do tempo. Mas isso realmente depende do que o governo fizer”, afirmou.

O investidor também demonstrou simpatia pelo país, destacando suas frequentes visitas ao Brasil.

“Já estive no Brasil muitas vezes, acho que 68 vezes ao longo dos anos. É um país maravilhoso, um povo maravilhoso, um lugar incrível. Sou um grande fã, mas, no fim das contas, vocês precisam de uma boa política econômica”, completou.

Escolha de ministros pode aumentar a confiança do mercado

Na avaliação de Citrone, a indicação de nomes bem avaliados pelo mercado para o Ministério da Fazenda e a Casa Civil poderia fortalecer a credibilidade do governo e reduzir o tamanho do ajuste fiscal necessário. Isso ajudaria a diminuir a curva de juros e o custo da dívida brasileira.

“Se o governo nomear um ministro da Fazenda e um ministro da Casa Civil de alto nível, poderá se beneficiar significativamente de um ganho de credibilidade que ajudaria a realizar uma parte importante do ajuste necessário. A moeda se valorizaria, o prêmio de risco cairia, os juros seriam menores e haveria mais crescimento econômico, investimentos e empregos. Com isso, o ajuste necessário seria muito menor”, avaliou.

Citrone vê possibilidade de aproximação entre Lula e Trump

Sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos, após a imposição de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros, o gestor acredita que uma reaproximação entre Lula e o presidente americano Donald Trump é possível.

“Não há razão para Trump e Lula não se darem bem. Eles tiveram alguns bons encontros recentemente, para ser franco. E, se Lula procurar Trump para conversar, Trump reagirá muito bem. Ele gosta de conversar, gosta de falar com líderes. Acho que receberia isso de maneira muito favorável. Eles vão se entender. Certamente podem não concordar em tudo, mas ainda assim podem ter uma boa relação”, concluiu.

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