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Governo quer usar receita do petróleo para reduzir imposto de combustíveis

Governo propõe usar receitas extras do petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis. Medida visa conter altas nos preços. Confira os detalhes do projeto!

Governo quer usar receita do petróleo para reduzir imposto de combustíveis | Foto: Reprodução
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O governo federal anunciou nesta quinta-feira (23) o envio ao Congresso Nacional de um projeto de lei complementar que permite utilizar receitas extraordinárias do petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis.

A proposta, já protocolada na Câmara dos Deputados, tem como objetivo amenizar os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços. No início do mês, o Executivo já havia apresentado um conjunto de medidas para conter a alta dos combustíveis diante da escalada do petróleo no mercado internacional.

O texto prevê que, sempre que houver aumento relevante na arrecadação ligada ao petróleo, esses recursos possam ser direcionados à redução de impostos como PIS/Cofins e Cide sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel.

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a lógica é aproveitar o fato de o Brasil ser produtor e exportador de petróleo, o que eleva a arrecadação pública em momentos de alta no preço da commodity, especialmente por meio de royalties.

“O ponto central é transformar esse ganho de receita em mecanismos que reduzam o impacto para a população”, explicou.

Caso o projeto seja aprovado, o governo poderá adotar medidas pontuais para diminuir tributos sempre que houver espaço fiscal. A prioridade inicial é a prorrogação da desoneração do diesel, enquanto gasolina e etanol ainda poderão ser contemplados em etapas futuras.

Moretti destacou que o limite das reduções será sempre o valor da receita extraordinária, garantindo neutralidade fiscal. A duração das medidas está atrelada ao período de instabilidade provocado pelo conflito no Oriente Médio.

Ele também detalhou que cada redução de R$ 0,10 nos tributos da gasolina teria impacto de cerca de R$ 800 milhões em dois meses, e que qualquer corte dependerá de autorização do Congresso e será formalizado por decreto presidencial.

O projeto define como fontes desses recursos adicionais receitas como royalties e participações especiais da exploração de petróleo e gás, venda de hidrocarbonetos da União, tributos sobre empresas do setor, dividendos e um imposto de exportação extraordinário de 12% sobre o petróleo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o acompanhamento será contínuo e que eventuais reduções serão feitas com base no aumento efetivo da arrecadação. “Se aprovado, poderemos implementar cortes parciais em gasolina e etanol por períodos determinados, inicialmente de dois meses”, disse.

A proposta já foi discutida com as presidências da Câmara e do Senado. De acordo com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, houve receptividade à iniciativa. A expectativa é avançar no tema em reunião de líderes prevista para a próxima semana, com o objetivo de construir consenso para a tramitação no Congresso.

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